Após um ano de cursinho, o então jornalista e servidor público João Paulo Mauler obteve a maior nota geral na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
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Com isso, o desejo era ajudar outras pessoas da mesma forma como foi ajudado pela equipe médica que o acompanhou após um infarto.
Neste mês de fevereiro, o agora doutor João Paulo Mauler encerra a residência médica em cardiologia em Salvador (BA), cidade pela qual se encantou durante uma visita de férias e para onde se mudou – realizando também o desejo de viver no Nordeste.
Antes da aprovação para medicina, João já havia concluído o curso de Comunicação Social da UFJF e havia sido aprovado em um concurso público da Fundação Hemominas. Mesmo feliz e com a vida estabilizada, havia o desejo de buscar novos caminhos.
“O infarto foi no início de 2010, e eu ainda passei um tempo cozinhando a ideia [de fazer medicina]. Aí, em 2013, resolvi fazer cursinho, passei e, em 2014, entrei na faculdade”.
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A princípio, ser o ‘trintão’ da sala acabou despertando curiosidade, inclusive nele. Mas o fator idade foi um diferencial.
“Durante muito tempo, eu me questionava por não ter entrado antes. Eu via professores meus que tinham a minha idade e pensava que poderia estar lá [como professor], mas acho que tudo acontece na hora certa. Aproveitei muito mais a faculdade pelo fato de ter entrado mais velho, com uma maturidade diferente, por já ter passado por outra faculdade e já conhecer um pouco dos meandros da universidade. Entrei menos calouro”.
Primeiro lugar geral dos mais de 10 mil aprovados na UFJF naquele ano e mais velho da turma, formada basicamente por jovens que haviam saído no ensino médio, João virou referência.
“Acho que foi por ter passado em primeiro lugar. Na época, fui muito procurado, foram feitas reportagens, até na Ana Maria Braga. E, então, eu já entrei conhecido, tanto que fui eleito representante de turma sem nem ter me candidatado. Lembro que, no dia da matrícula, havia pais e mães de colegas que chegavam para mim dizendo: ‘Que bom que você vai estar na sala do meu filho'”.
João disse ter enfrentando muito cansaço com a rotina puxada dos estudos. A maior dificuldade, no entanto, veio logo após o fim da graduação, com a pandemia de Covid-19.
“Estava no segundo mês de residência quando estourou a pandemia. De repente, a gente caiu literalmente naquela situação de guerra, que foi um pouco traumatizante e pesada pra caramba. Eu me vi ali, super inexperiente, começando a vida. Pensei em desistir, não nego isso, até pela minha condição de saúde, com risco maior de pegar Covid”.
O segredo para se tornar um grande cardiologista, segundo ele, passa pela empatia:
“Sempre busquei não perder aquela essência da pessoa que, antes de se tornar médico, foi paciente. E senti na pele ser bem tratado e ser maltratado por profissionais de saúde”.
“Então sempre prezei muito essa coisa de dedicar realmente a minha atenção ao paciente que está na minha frente, a dedicar o meu tempo ali de forma mais integral, de forma mais atenciosa possível. Então, sempre tentei manter essa essência”.
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