
Brasil e EUA se reúnem em Washington para debater investigação sobre o Pix (Foto: Instagram)
Autoridades do Brasil e dos Estados Unidos deram início a uma rodada de reuniões bilaterais voltadas à investigação comercial que tem o Pix como um dos principais pontos de análise. O encontro ocorre em meio ao recrudescimento das críticas americanas ao sistema brasileiro de pagamentos, apontado em relatórios oficiais dos EUA como potencial causa de desequilíbrios e concorrência desleal em desfavor de empresas estadunidenses. A expectativa é que esse diálogo ajude a esclarecer dúvidas e reduzir tensões entre as duas nações.
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Os representantes dos governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva se reuniram em Washington (EUA) nesta quinta-feira (16), após terem iniciado as tratativas ainda na quarta-feira (15). Além do Pix, a pauta inclui questões relativas ao etanol e à propriedade intelectual. Fontes diplomáticas afirmam que o foco está na apresentação de dados e justificativas técnicas acerca das normativas brasileiras apontadas pelos americanos.
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O encontro reúne, pelo Itamaraty, o secretário de Assuntos Econômicos, Phillip Fox Gough, e, pelo Ministério das Relações Exteriores, o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente, Maurício Lyrio. Do lado americano, integrantes do Escritório do Representante de Comércio (USTR) lideram as discussões, cobrando explicações sobre eventuais medidas brasileiras que, na visão dos EUA, poderiam favorecer o Pix em detrimento de plataformas estrangeiras.
A investigação, aberta em julho de 2025, está embasada na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos, mecanismo usado para apurar violações de acordos internacionais ou práticas consideradas prejudiciais ao comércio estadunidense. Esse instrumento costuma servir de base para a instauração de disputas formais e encaminhamentos junto à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso não haja acordo entre as partes.
Em relatório divulgado em 31 de março, o USTR listou o Pix entre políticas de mais de 60 países que, segundo Washington, impõem barreiras a empresas dos EUA. O documento, com mais de 500 páginas, menciona o Banco Central do Brasil como responsável pela criação, regulação e gestão do sistema, e destaca preocupações do setor privado americano sobre possíveis favorecimentos que impactariam concorrentes estrangeiras. Também é apontada a obrigatoriedade de adesão ao Pix por instituições financeiras com grande base de clientes.
Enquanto isso, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, cumpre agenda paralela nos Estados Unidos, participando de reuniões com autoridades econômicas de outras nações e com representantes do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Até o momento, não há previsão de anúncios de decisões imediatas, pois as partes ainda avaliam os próximos passos para o desenrolar das negociações.








