Seu celular escuta suas conversas? Entenda por que anúncios surgem após uma conversa

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Não, seu celular não está te ouvindo 24h: anúncios certeiros vêm de dados, não de microfone ativo (Foto: Instagram)

Muita gente nota anúncios sobre um tema pouco depois de ter conversado ou pesquisado sobre ele e passa a acreditar que o smartphone está gravando tudo o que se fala. Essa impressão de “escuta constante” se espalhou nas redes sociais e fóruns, criando suspeitas de espionagem digital para fins publicitários. No entanto, segundo especialistas, a origem desse fenômeno está no volume de informações coletadas e processadas por algoritmos, e não em gravações contínuas.

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Profissionais de segurança digital garantem que não há indícios de que empresas como Google ou Apple mantenham o microfone dos dispositivos ativo 24 horas por dia para ouvir conversas e direcionar anúncios. Um sistema de gravação permanente consumiria muita bateria, exigiria alto tráfego de dados móveis e provavelmente teria sido identificado por pesquisadores independentes ou por órgãos de defesa do consumidor. Por enquanto, não existe nenhuma prova concreta de escuta deliberada para publicidade.

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Na avaliação de Jake Moore, consultor global de cibersegurança da ESET, a real fonte de predição publicitária está na capacidade dos algoritmos de aprender com padrões de uso. Esses sistemas de machine learning analisam desde o histórico de buscas até o comportamento em redes sociais, montando perfis que conseguem antecipar interesses com grande precisão. Assim, não é necessário gravar áudios para saber quais produtos ou serviços podem chamar a atenção do usuário.

As plataformas de tecnologia reúnem um vasto conjunto de dados autorizados pelos próprios usuários, incluindo histórico de pesquisas, localização, sites acessados, vídeos assistidos, aplicativos baixados, compras realizadas, curtidas em redes sociais e tempo de permanência em páginas específicas. Ao cruzar essas informações com dados de usuários de perfis semelhantes, é possível gerar recomendações e anúncios altamente personalizados. Esse nível de detalhamento costuma ser tão eficiente que muitos confundem a acurácia com escutas reais.

Isso não quer dizer que o microfone nunca seja usado. Assistentes virtuais como Siri e Google Assistente, aplicativos de chamadas de voz, ferramentas de gravação de vídeo, reconhecimento de músicas e mensagens de voz dependem do acesso ao microfone. Por isso, especialistas aconselham revisar periodicamente quais aplicativos possuem essa permissão e desativá-la para aqueles que não demandam função de áudio, garantindo maior controle sobre a privacidade.

Para reforçar a proteção dos dados, recomenda-se: revisar e limitar as permissões de cada aplicativo; autorizar o microfone apenas em situações específicas; desativar a personalização de anúncios nas configurações de privacidade; apagar regularmente o histórico de atividades na conta Google; manter o sistema operacional e os aplicativos sempre atualizados; e baixar softwares exclusivamente de lojas oficiais. Essas medidas ajudam a reduzir o rastreamento desnecessário e a evitar possíveis vulnerabilidades.

Tanto Google quanto Apple afirmam que não utilizam o microfone dos celulares para espionar usuários nem para direcionar propaganda sem consentimento. A Apple declara nunca ter empregado dados da Siri para criar perfis de marketing ou vendido essas informações a terceiros, enquanto o Google assegura que os anúncios personalizados são baseados em histórico de navegação, pesquisas, localização e permissões concedidas. Para especialistas, a impressão de estar sendo ouvido decorre do poder dos dados, não de escutas.