‘Maníaco da seringa’: relembre o caso do homem com injeção misteriosa que aterrorizou Fortaleza

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Seringa semelhante à usada pelo “maníaco da seringa” que aterrorizou Fortaleza em 2013. (Foto: Instagram)

No começo de 2013, uma série de ataques com seringas espalhou o pânico entre os moradores de Fortaleza. Conhecido como “maníaco da seringa”, o suspeito chegava a perfurar pessoas em plena rua, gerando insegurança sobretudo entre mulheres que transitavam pelo Centro da capital cearense. As ocorrências ganharam repercussão nacional e marcaram a cidade, provocando ampla mobilização das autoridades. A investigação buscou esclarecer a motivação e a origem dos objetos perfurantes, além de proteger potenciais vítimas.
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Os primeiros registros datam de abril de 2013, quando diversas mulheres relataram à polícia e procuraram atendimento em hospitais após sentir picadas misteriosas perto das praças do Ferreira e José de Alencar. Temendo contaminação por HIV ou hepatites, elas submeteram-se a exames no Hospital São José, seguindo os protocolos para acidentes perfurocortantes. A Polícia Civil iniciou inquérito para identificar o autor das agressões e coletar provas, mas esbarrou na escassez de testemunhas concretas e na velocidade do agressor.
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Conforme depoimentos de testemunhas, o atacante era descrito como um homem de pele morena, baixa estatura e porte robusto. As vítimas afirmaram que ele agia de forma sorrateira, aproximando-se por trás antes de aplicar a picada com a seringa. A falta de suspeitos flagrados no momento do ataque dificultou o trabalho policial. Enquanto isso, o nome “maníaco da seringa” se espalhou pelo imaginário popular, evocando antigas lendas urbanas de Fortaleza e ampliando o clima de medo.

Em março de 2015, policiais militares receberam novas denúncias de perfurações no Centro de Fortaleza e conseguiram prender Francisco Nogueira em flagrante. Segundo o cabo Róger Macedo, o homem atacava principalmente mulheres sozinhas, focando no braço ou na região abdominal durante os incidentes. Três vítimas apresentaram lesões semelhantes no dia da prisão, o que reforçou a hipótese de autor recorrente. Francisco foi conduzido ao 34º Distrito Policial e passou por exame de corpo de delito.

A seringa apreendida foi encaminhada para perícia com o objetivo de detectar possíveis agentes contaminantes. Tal como na investigação anterior, o laudo concluiu não haver substâncias capazes de transmitir doenças. Em 2013, essa ausência de material biológico contaminado levou a enquadrar os crimes como lesão corporal leve. Nogueira permaneceu detido por cinco dias e, após audiência, obteve liberdade provisória, enquanto o inquérito seguia em tramitação.

O caso do “maníaco da seringa” despertou debate sobre segurança pública e memória coletiva em Fortaleza. Historiador local Gleudson Passos destaca que o pavor gerado e a circulação constante de relatos acabaram alimentando comparações com outras lendas urbanas, como a “perna cabeluda” ou o “corta-bundas”. Embora a investigação tenha sido baseada em fatos apurados, o episódio permanece como um dos mais emblemáticos da capital cearense, simbolizando a vulnerabilidade de cidadãos em espaços públicos.