Justiça define destino de diarista que confessou matar casal de idosos

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Diarista acusada de latrocínio não irá a júri em BH, decide Justiça (Foto: Instagram)

A Justiça declarou que a diarista Paola Stefany Neto Cirino, que admitiu ter dopado e assassinado o advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e a empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, não será levada a julgamento pelo Tribunal do Júri. A decisão foi proferida na quinta-feira (9) pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte.

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Segundo a magistrada, o caso não se enquadra nas hipóteses de competência do Tribunal do Júri, pois Paola Stefany responde por latrocínio — roubo seguido de morte — e não por homicídio doloso. A juíza declarou a incompetência da 1ª Vara do Tribunal do Júri e determinou o envio dos autos à Vara de Garantias, que reorganizará a distribuição do processo para uma vara criminal comum.

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De acordo com o inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais, Paola foi contratada para limpar o apartamento do casal na região Centro-Sul de Belo Horizonte em 29 de junho. Ela teria colocado quatro comprimidos de um antidepressivo num copo de suco oferecido às vítimas e, depois que o casal ficou sonolento, desferido golpes de faca contra ambos.

As investigações apontam que Cláudio sofreu mais de 40 facadas, sendo 17 no tórax e outras em rosto, pescoço, costas e nuca. Maria Clotilde também foi atingida por múltiplas perfurações. A quantidade exata de ferimentos de cada vítima ainda será confirmada pelos laudos periciais em andamento.

Após cometer o crime, a diarista trocou de roupa e subtraiu joias, relógios de luxo, dinheiro e outros pertences do apartamento. Câmeras de segurança registraram sua saída do prédio carregando sacolas e uma bolsa. Os relógios, avaliados em aproximadamente R$ 108 mil, foram vendidos na região da Praça Sete, mas recuperados pela Polícia Civil depois que o comprador os devolveu.

O casal foi encontrado morto na terça-feira (30) pelo próprio filho, que havia tentado contato sem sucesso. Paola Stefany foi presa na madrugada de 2 de julho em um hotel de Itabira, na Região Central de Minas Gerais. Durante o interrogatório, ela confessou o crime e afirmou já ter previsto sua localização em razão da repercussão do caso. A investigação reuniu depoimentos, imagens de monitoramento e realizou a reconstituição dos fatos.

A defesa da diarista anunciou que solicitará à Justiça a instauração de um incidente de insanidade mental. Segundo o advogado Bruno Corrêa, a cliente apresenta confusão mental, lapsos de memória e pensamentos suicidas. Ele relatou que, durante a reconstituição do crime, Paola precisou interromper várias vezes a narrativa por não se lembrar claramente dos acontecimentos. A defesa também apontou histórico de atendimentos em unidades de saúde, como o Hospital André Luiz, o Caps III de Ribeirão das Neves e um posto de saúde local. O pedido será analisado durante o prosseguimento do processo.