
Usuário acessa ChatGPT em smartphone com notebook ao fundo (Foto: Instagram)
Um agricultor de 36 anos foi preso em São Gabriel da Palha, no Espírito Santo, acusado de arquitetar o assassinato do próprio filho de 8 anos para evitar o pagamento de pensão alimentícia. De acordo com a Polícia Civil, ele usava o ChatGPT não apenas para registrar seus pensamentos, mas também para pesquisar métodos de homicídio e escolher substâncias letais. As conversas trocadas com o chatbot detalharam cada etapa do plano e serviram de base sólida para o avanço das investigações.
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Entre as mensagens secretas obtidas pelos investigadores, o agricultor admitiu ter ofertado R$ 50 mil a um pistoleiro para executar o crime contra o próprio filho, mas o profissional desistiu ao descobrir que o alvo era uma criança. Em outro trecho dos diálogos, ele escreveu: “Essa semana pensei em pegar a arma e matar uns dois policiais perto do batalhão.” O homem também confessou seu fascínio pela dor alheia, afirmando: “Queria saber de onde vem essa vontade de matar as pessoas. Eu gosto de ver outra pessoa sofrer.”
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Além das declarações, os agentes identificaram que o suspeito pesquisou extensivamente sobre substâncias tóxicas, venenos e estratégias de ataques em locais públicos, buscando meios de dificultar a identificação. Essas buscas apareceram nos registros do ChatGPT e foram cruzadas com o histórico de navegação do agricultor, reforçando a materialidade do crime.
Segundo a autoridade policial, o homem planejava executar o filicídio em 20 de junho de 2026, mas acabou sendo detido preventivamente em 19 de junho. Durante depoimento ao delegado Breno Andrade, responsável pela investigação, o suspeito admitiu ter realizado as pesquisas, mas negou qualquer intenção concreta de matar a criança. O delegado, porém, salientou que “a prova técnica falha por si só, mostrando que ele não apenas idealizou como buscou instruções detalhadas”.
A descoberta desse plano foi possível graças a um alerta enviado pela OpenAI à polícia norte-americana, o FBI, que repassou o caso ao Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça. Esse órgão, por sua vez, acionou a Polícia Civil do Espírito Santo, que identificou o suspeito, confirmou a existência do filho e solicitou à Justiça mandados de busca, apreensão e prisão preventiva.
De acordo com o delegado Bretna Andrade, este é o primeiro caso do tipo no Espírito Santo e apenas o terceiro em âmbito nacional envolvendo um alerta de plataforma de inteligência artificial. Ele destacou a gravidade excepcional em razão da constância das pesquisas e do risco elevado de concretização das ameaças. O inquérito segue em curso e as perícias realizadas no celular do investigado poderão revelar novos elementos, ampliando a tipificação criminal para tentativa de homicídio, ameaça, incitação e apologia ao crime.







