Salário pode diminuir? Saiba os impactos da proposta para acabar com a escala 6×1

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Cartões e notas simbolizam o debate sobre jornada e salário (Foto: Instagram)

O projeto em discussão na Câmara dos Deputados propõe o fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador labora seis dias seguidos e só folga um. Enviado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, o texto também prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, organizadas em cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado. Essa mudança tem gerado questionamentos sobre os reflexos na economia e no orçamento das famílias.

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Segundo o próprio projeto, os salários atuais devem ser mantidos mesmo com a menor carga horária, garantindo que trabalhadores não vejam o contracheque encolher. No entanto, economistas como o professor Henrique Castro, da Fundação Getulio Vargas (FGV), alertam para possíveis efeitos indiretos. Empresas podem reagir ao aumento de custos cortando benefícios nas novas contratações, revisando valores de comissões ou desacelerando reajustes salariais.

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Defensores da proposta afirmam que jornadas mais curtas auxiliam na qualidade de vida e podem elevar a produtividade. De acordo com o Planalto, um turno balanceado tende a reduzir afastamentos por adoecimento, otimizar o desempenho e diminuir a rotatividade dentro das empresas. O governo federal sustenta que a revisão reflete tendências globais ligadas ao avanço tecnológico e ao novo perfil de trabalho.

Por outro lado, setores como comércio e serviços, que dependem diretamente do movimento de clientes, podem enfrentar limitações na produtividade. Nessas áreas, a solução teria de passar pela contratação de pessoal extra para cobrir as folgas, o que ampliaria os custos operacionais. Alternativamente, empresas poderiam investir em automação e novas tecnologias para manter o atendimento e reduzir horas manuais.

Internacionalmente, diversos países vêm reduzindo a jornada. No Chile, o caminho vai de 45 para 40 horas semanais até 2029. A Colômbia planeja cortar de 48 para 42 horas até 2026. Na França, a história começou no início dos anos 2000 com 35 horas por semana, enquanto Alemanha e Países Baixos operam, na prática, em média abaixo de 40 horas.

Entre os riscos apontados por especialistas estão o possível repasse de custos ao consumidor, pressionando a inflação, e o estímulo à informalidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cerca de 37% dos trabalhadores brasileiros já atuam sem carteira assinada, cenário que pode piorar com a alta dos custos formais.

O debate ainda está em aberto no Congresso e o texto pode sofrer ajustes antes de ser aprovado. Para especialistas, a iniciativa só terá sucesso se vier acompanhada de políticas de qualificação profissional, investimentos em educação e incentivo à adaptação das empresas às novas tecnologias.