
Operação Narcofluxo: MC Ryan SP e MC Poze do Rodo sob custódia da PF (Foto: Instagram)
A Polícia Federal apresentou nesta quarta-feira (15) os detalhes da Operação Narcofluxo, ação que resultou na detenção dos cantores MC Ryan SP, MC Poze do Rodo e do influenciador Raphael Sousa Oliveira. Segundo as apurações, a organização movimentou mais de R$ 1,6 bilhão por meio de atividades como tráfico de drogas, bets ilegais e rifas online fraudulentas. A investigação aponta que os recursos foram inseridos no sistema financeiro simulando operações legítimas para mascarar sua origem criminosa.
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O delegado Marcelo Maceiras informou que a Narcofluxo é um desdobramento da Operação Narcobete e visa desmontar uma sofisticada estrutura de ocultação de valores. “A Operação Narcofluxo é um desdobramento da Operação Narcobete, que mira uma estrutura de lavagem de dinheiro montada por uma associação de pessoas”, declarou. Ele ressaltou que o mecanismo financeiro permitia legitimar ganhos obtidos não apenas com o tráfico, mas também com apostas clandestinas e rifas ilegais.
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Para driblar os controles bancários, a organização utilizava empresas de fachada e processadoras de pagamento que facilitavam a circulação de grandes quantias sem gerar alertas. Contas de passagem e “laranjas” fragmentavam os valores em pequenas transações. Em seguida, o dinheiro retornava como supostos pagamentos por serviços ou prêmios de rifas, seguindo para o patrimônio dos envolvidos.
Influenciadores digitais tiveram papel central no esquema ao promover plataformas de apostas ilegais e movimentar fundos sem levantar suspeitas. Maceiras explicou que “eles se utilizam de pessoas com grande visibilidade para fazer a propaganda dessas empresas de apostas ilegais e para movimentar o dinheiro de forma a não chamar a atenção das autoridades”. As ostentações de luxo nas redes sociais, festas e aquisição de bens de alto valor eram resultado direto desse processo de integração de valores ilícitos.
O rastreamento financeiro teve início em 2023, após a apreensão de drogas em um veleiro que desencadeou as primeiras investigações. Ao longo de diferentes fases, a PF seguiu o rastro do dinheiro até identificar a rede completa de operadores. “Durante todo esse fluxo operacional, a gente vem seguindo o dinheiro. Hoje chegamos nesse ponto, mas ainda há muito a entender sobre a movimentação e a destinação desses recursos”, afirmou o delegado.
Além de laranjas e empresas de fachada, investigadores apuram o uso de criptomoedas como instrumento de lavagem. Apesar de ainda incipientes, as operações em moedas digitais devem ser alvo de novas frentes de investigação, segundo Maceiras. Ele destacou que a complexidade dos protocolos cripto exige estudo aprofundado para rastrear fluxos e identificar beneficiários.
Até o momento, 33 dos 39 mandados de prisão e 45 de busca e apreensão foram cumpridos. A Justiça bloqueou aproximadamente R$ 1,6 bilhão em ativos e apreendeu cerca de R$ 20 milhões em veículos. A PF também identificou ligações diretas com facções criminosas envolvidas no tráfico de drogas e não descarta novas fases da Narcofluxo.








