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Em 2019, agressões contra lésbicas registram aumento de 42% na França

O último relatório divulgado esta semana pela ONG francesa SOS Homophobie aponta para um aumento inédito de casos de lesbofobia no país em 2019. De acordo com o documento, se os gays ainda são o principal alvo das agressões homofóbicas na França, as lésbicas viram episódios de violência aumentar em 42% apenas no intervalo de um ano, entre 2017 e 2018.

A jovem francesa Sabrina Askelou relatou que ouviu de um homem num shopping center de Lyon, no centro da França “Em países muçulmanos, a mão de vocês seria arrancada”, repetiu o homem várias vezes. “O que vocês estão fazendo é sujo. Se vocês estivessem em um país muçulmano, nós amarraríamos vocês em uma árvore e mataríamos vocês a pedradas para vocês irem para o inferno.”. Ela e a namorada passeavam de mãos dadas no local quando começaram a ser perseguidas por um indivíduo mulçumano as ameaçou.

Segundo a jovem, vice-presidente da associação de apoio às pessoas LGBTQ+ Le Refuge, esse tipo de ataque é comum, assim como comentários homofóbicos que podem culminar em ameaças de estupro e morte. “Caminhar de mãos dadas se tornou impossível para a gente”, afirma a militante cuja homossexualidade foi rejeitada até mesmo pela família.

“As pessoas me chamam de safada, dizem que eu sou lésbica porque ainda não encontrei o homem certo. Quando estou com minha namorada me perguntam quem é o homem e a mulher da relação”, contou à RFI. Segundo ela, o preconceito contra as lésbicas é tão banalizado que apenas as agressões físicas são consideradas graves e registradas na polícia da França.

De fato, segundo o relatório da SOS Homophobie, 50% das agressões registradas contra lésbicas foram manifestadas sob forma de comportamento ou declarações preconceituosos, seguidos por 39% de insultos verbais (difamação, assédio moral ou ameaças), violências físicas (9%) e agressões sexuais (1%). Em 2018, a associação registrou 365 casos de lesbofobia, uma média de um por dia.

Entretanto, para a co-autora do relatório, Joce Le Breton, esse número é apenas uma pequena amostra da violência que as lésbicas vivem em seu cotidiano na França. “Esses dados dizem respeito somente às pessoas que nos telefonam e denunciam esses atos à SOS Homophobie. Então, o relatório é apenas uma pequena parte da realidade. Sabemos que há um grande número de vítimas que não registram essas violências junto às associações ou à polícia”, afirma.

Na França, a homofobia foi introduzida no Código Penal como crime ou delito desde 2003. Em caso de discriminação, a Justiça pode estabelecer penas de até três anos de prisão e R$ 195 mil de multa. Desde 2002, cinco dos 14 assassinatos de homossexuais foram punidos com penas de 12 a 20 anos de prisão.