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Covid: Brasil é o segundo país com mais mortes de crianças de até 9 anos

Segundo os dados do Sistema de Informações de Vigilância da Gripe (Sivep-Gripe), 948 crianças de 0 a 9 anos morreram de Covid-19 no Brasil, até meados de maio.

A cada um milhão de crianças, 32 perderam a vida para a doença. O país só fica atrás do Peru, que atingiu a marca de 41 por milhão. A Argentina e a Colômbia tiveram 12 e 13 mortes por milhão, respectivamente.

Com o apoio de Leonardo Bastos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a análise considerou 11 países que registraram pelo menos mil mortes por milhão de habitantes e que possuem mais de 20 milhões de residentes.

Na Europa, o cenário é muito diferente. O Reino Unido e a França registraram apenas 4 mortes de crianças de até 9 anos, ou seja, 0,5 morte por milhão.

“O México tem um plano popular de saúde, mas é muito restrito. Quem não paga pelo menos esse plano morre na calçada. Esses tipos de sistema de saúde são um desafio. Com exceção da Argentina, Chile e Uruguai, estávamos mais bem preparados que os outros países latinos”, diz a epidemiologista Fátima Marinho, da Sênior Vital Strategies.

Segundo o levantamento, a maior parte das mortes aconteceu em maio de 2020, quando 131 crianças faleceram devido a infecção. Depois, vem abril desde anos, com 99 óbitos. As principais vítimas são bebês de até 2 anos de idade, correspondendo a 32,7% dos falecimentos analisados.

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De acordo com o Sivep-Gripe, 57% das crianças mortas pela Covid eram negras. As brancas correspondem a 21,5% das vítimas, as amarelas a 0,9% e 16% não tiveram a etnia indicada.

Fátima Marinho observou que o índice de mortalidade entre as crianças negras já era maior antes da pandemia. “Muitas das crianças negras residem em moradias superlotadas, com adultos que precisam sair para trabalhar, que têm empregos mais expostos ao vírus, que pegam transporte público. Dessa forma, a carga viral que chega para a criança é muito grande”, explicou.

Especialistas criticaram a falta de coordenação nacional de políticas, para definir a volta às aulas, por exemplo. “O Estado brasileiro abandonou as crianças à própria sorte. Cortaram a escola e não deram outra alternativa”, afirmou Fátima Marinho.

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