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‘Em Nome de Deus’: Roteirista conta que ficou muito mexida com apuração: ‘Precisei de apoio’

Em 2018, no Conversa com Bial, mulheres revelaram que, ao buscar tratamento espiritual, foram abusadas sexualmente pelo médium João Teixeira de Faria, o João de Deus. Camila Appel esteve à frente das investigações que levaram às primeiras denúncias feitas com exclusividade no programa. No Globoplay, a série documental original Em Nome de Deus acompanha a história do médium desde sua infância em Itapaci, em Goiás, até sua prisão por crimes sexuais.

++ ‘Em Nome de Deus’: documentário revela depoimentos inéditos de mulheres vítimas de João de Deus

Em seis episódios, a série mostra o trabalho realizado ao longo de 18 meses e aborda os crimes e a dualidade do curandeiro – um homem que inspira fascínio e repulsa. A obra também será exibida pelo Canal Brasil, parceiro do projeto. Em entrevista ao Gshow, Camila Appel revela como se sentiu durante a apuração da denúncia.

“Essa apuração mexeu muito comigo. Em 2018, quando a gente estava preparando o programa, eu fiquei absolutamente tomada por isso 24 horas por dia. Eu falava com fontes fora do Brasil que tinham outros horários, então foi muito difícil. Teve alguns momentos em que eu precisei de um apoio. A Monica Almeida e o Pedro Bial me deram muito esse apoio”, conta.

Camila ainda ressalta que o sentimento de sororidade sempre falou mais alto. “É impossível você não se chocar. Escutei muitas histórias horrorosas. E com todas elas eu fiquei muito abalada, muito chocada. É uma ferida enorme. Quando a gente convida essas mulheres a compartilhar suas histórias, é um convite pra elas reviverem essa dor. Elas estão lá compartilhando e revivendo aquela dor. É muito difícil fazer esse convite”.

A roteirista ressalta o motivo da escolha de formar uma roda de conversa com as vítimas na série documental. “O mínimo que a gente tem a oferecer é uma empatia de falar: ‘Eu compreendo a sua dor’. A gente não oferece uma cura. Aquele encontro das mulheres não tem esse objetivo. Mas tem o objetivo de tentar mostrar que esse compartilhar da dor pode ser algo bonito. E que algo pode surgir de lá. No final da série, eu vejo isso acontecer. Essa dor está em outro lugar. Ela não é curada, mas tem uma transformação. Em mim também”.
Camila ainda ressalta o quanto o projeto foi importante para sua carreira: “Eu fui me transformando da primeira investigação para agora, enquanto profissional. O tempo todo eu ia conversando com o Pedro, ele ia me orientando. Toda essa bagagem de apuração fez eu crescer muito”.

Em Nome de Deus é uma série original Globoplay que conta com argumento e criação de Pedro Bial, direção de conteúdo de Fellipe Awi e direção de Monica Almeida, Gian Carlo Bellotti e Ricardo Calil. Para gravar a série, foi feita uma extensa pesquisa de arquivo em documentários e programas de TV nacionais e estrangeiros, além ter sido usado material de arquivo pessoal das vítimas e das casas em que o médium atuava em Goiás e no Rio Grande do Sul. Os seis episódios estão disponíveis para assinantes do Globoplay, no Brasil e nos Estados Unidos, a partir do dia 23/6. No Canal Brasil, a série será exibida a partir do dia 24 de junho, de quarta-feira a segunda-feira, sempre às 20h50.

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