Entretenimento, Cultura e Lazer

Livro sobre Suzane von Richtofen chega às livrarias e traz detalhes do crime que chocou o Brasil

Livro, que chega às livrarias de todo o país nesta sexta (17/10), traz detalhes do crime que chocou o país e da vida de Suzane na cadeia. (Foto: Divulgação)
Livro, que chega às livrarias de todo o país nesta sexta (17/10), traz detalhes do crime que chocou o país e da vida de Suzane na cadeia. (Foto: Divulgação)

O crime que chocou o Brasil ganha a sua versão definitiva. Suzane: Assassina e Manipuladora (Matrix Editora, R$ 57), biografia não-autorizada sobre a presa mais famosa do país, chega às livrarias de todo o país nesta sexta (17). O livro é baseado em três anos de pesquisa do jornalista Ullisses Campbell, centenas de entrevistas com presas e detentos amigos dos assassinos confessos, agentes de segurança, profissionais especializados em Psicologia Forense e leitura atenta do processo penal com cerca de 6 mil páginas. O autor fez, ainda, 8 entrevistas com Cristian Cravinhos e chegou a conversar 3 vezes com Suzane, que sempre se recusou a dar entrevistas e tentou impedir a publicação da obra.

Por pouco, o livro não foi para as livrarias. Numa decisão polêmica, a juíza Sueli Zeraik Armani, do Tribunal de Justiça de São Paulo – a mesma que liberou o médico estuprador Roger Abdelmassih para cumprir pena em casa –  vetou a publicação e a divulgação da obra, alegando, entre outras coisas, que o livro não seria de interesse público e que “traria prejuízo irreparável à imagem de Suzane von Richthofen”. A proibição durou 37 dias. Em 18 de dezembro de 2019, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, fez valer a liberdade de expressão e permitiu a publicação.

++ Antes de estrear na Band, Ronnie Von revela última conversa com Gugu

“Suzane: Assassina e Manipuladora” conta a história da detenta a partir do momento em que conheceu Daniel Cravinhos, ex-namorado dela e o irmão de Cristian. Em 31 de outubro de 2002, Suzane von Richthofen, à época com 19 anos, assassinou seus pais, Manfred e Marísia von Richthofen, com a ajuda de seu namorado, Daniel, e do irmão dele, Cristian. Ambos mataram os pais de Suzane, quando as vítimas dormiam, usando barras de ferro. O caso aconteceu no Campo Belo, na zona sul de São Paulo. Seus autores confessaram o crime. Suzane e Daniel foram condenados a 39 anos e seis meses de prisão, enquanto Cristian foi sentenciado a 38 anos e seis meses de reclusão.

Suzane com Daniel Cravinhos, seu namorado, ambos réus confessos. Ele já está solto. Ela segue presa. (Foto: Divulgação)
Suzane com Daniel Cravinhos, seu namorado, ambos réus confessos. Ele já está solto. Ela segue presa. (Foto: Divulgação)

Linda, rica e loira. Nascida em uma família da classe média alta paulistana, filha de uma psiquiatra (Marísia) com um engenheiro (Manfred), Suzane teve uma infância normal, acesso a ótimas escolas, viagens ao exterior e faculdade (na época do crime, cursava Direito na PUC-SP). O que levou uma menina inteligente e com tantos privilégios a se envolver em um relacionamento obsessivo e planejar, com detalhes macabros, o assassinato dos próprios pais? Para entender essa mente criminosa, Campbell teve acesso aos resultados do teste psicométrico de Suzane na cadeia, baseado no método do psiquiatra suíço Hermann Rorschach.

O teste consiste na análise de pranchas com manchas de tintas simétricas. A partir das respostas, é possível saber como o indivíduo se coloca no mundo, qual a estrutura da sua personalidade e, no caso de criminosos, se está apto para voltar a viver em sociedade. Essas imagens espelhadas do teste ilustram cada um dos capítulos do livro. O resultado do teste aplicado à Suzana sempre foi implacável: “vazia, infantilizada, manipuladora, desvalorizadora do ser humano, dissimulada e egocêntrica”. Segundo especialistas, trata-se de uma assassina que não mostra arrependimento pelo crime que cometeu. Uma das razões pela qual Suzane não conseguiu até hoje progressão para o regime aberto. Daniel, que foi condenado pelo mesmo crime e pegou pena idêntica à da ex-namorada, já está livre há 2 anos.

Essa mente manipuladora e narcísica – como apontou o teste de Rorschach – explica parte do sucesso dela na cadeia. A comunidade prisional não perdoa pedófilos, estupradores e parricidas (quem matou o pai, a mãe ou qualquer outra figura parental). Suzane esteve marcada para morrer desde que pisou na cadeia e tinha consciência disso. As mulheres sanguinárias do PCC receberam a missão de matar a menina rica, branca e de cabelos loiros dentro da Penitenciária Feminina da Capital, ainda nos anos 2000. Esperta e calculista, Suzane sobreviveu. E se tornou uma lenda no mundo do crime e uma líder na cadeia. Hoje, aos 36 anos, Suzana ainda cumpre pena na Penitenciária Feminina Santa Maria Eufrásia Pelletier, em Tremembé, no interior de São Paulo.

“Suzane é célebre pelo potencial de seduzir com alta voltagem quem lhe interessa, descartar sumariamente as pessoas quando a utilidade termina e ignorar friamente quem não lhe traz proveito algum”, destaca Campbell, jornalista paranaense e que atuou nos maiores veículos de comunicação do país (Província do Pará, O Liberal e Correio Braziliense, Superinteressante, Veja).  Em 24 anos de profissão, atuou sempre como repórter. Ao longo da carreira, ganhou três prêmios Esso de Reportagem e um Embratel de Jornalismo.

Com um estilo de romance policial, inspirado no repórter americano Gay Talese, Ullisses consegue alternar, na obra, momentos de terror e tensão na reconstituição do crime e no perfil do universo prisional, mas também momentos de romance, como o caso de Suzane com uma detenta, e o de Cristian Cravinhos com um presidiário. O livro traz ainda fatos inéditos como a tentativa de reaproximação de Andreas com a irmã e o desejo da assassina de casar e virar pastora.

Não deixe de curtir nossa página no Facebook e também no Instagram para mais notícias do JETSS