Entretenimento, Cultura e Lazer

As propostas dos presidenciáveis para inovação e tecnologia

 

Inovação e tecnologia tão temas que despertam a curiosidade de eleitores e políticos. Saber o que os candidatos pensam sobre isso e conhecer seus projetos, é fundamental para um voto consciente.

Faltando apenas quatro dias para as Eleições 2018, confira a seguir algumas das propostas dos candidatos à Presidência da República para inovação e tecnologia:

1. Álvaro Dias (Podemos)
O programa de Álvaro Dias faz um diagnóstico que considera preocupante do cenário da Ciência e Tecnologia no Brasil. Ele cita o encolhimento dos recursos públicos destinados à área, com a queda de um orçamento de R$ 10 bilhões anuais para o Ministério da Ciência e Tecnologia em 2010, para R$ 4,8 bilhões no ano passado, quando a área foi incluída em uma nova pasta, o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC).

Para mudar isso, Dias propõe “a adoção de uma agenda de longo prazo” que estimule a inovação nas empresas, o uso da ciência para inclusão social, investimentos em educação e uma nova estratégia para a preservação ambiental. Além disso, o programa de governo também destina uma área à “indústria 4.i”, voltada para o desenvolvimento industrial. Um dos “quatro is” se refere à inovação.

2. Ciro Gomes (PDT)
O programa registrado por Ciro Gomes tem um plano focado nos órgãos do governo, que serviriam como âncora para incentivo a programas de inovação. Coerentes com o plano nacional-desenvolvimentista do candidato, suas propostas falam principalmente em desenvolver a ciência e a tecnologia com incentivos governamentais:

– Criar um “plano nacional de ciência e tecnologia” que fomente o setor produtivo, com destaque para a “indústria manufatureira de alta tecnologia”;

– Para administrar esse plano, a criação de “conselho superior da política de ciência e tecnologia”, que teria a função de definir as prioridades de investimentos na área. Ele seria auxiliado por conselhos setoriais que ajudariam a direcionar as ações a setores específicos;

– Apoio a pequenas e médias empresas com “negócios inovadores na área de sustentabilidade”, em especial os que estimulem uma cadeia produtiva ambientalmente correta;

– Ter linhas de crédito específica, financiamento com bolsas e estímulo a venture capital para investimentos que promovam a inovação sustentável;

– Criação de fundos de investimento que financiem, de forma não reembolsável, startups e iniciativas inovadoras que não contem com uma segurança econômica suficiente naquele momento.

3. Fernando Haddad (PT)
Fernando Haddad tem em seu programa de governo uma defesa do legado das medidas tomadas pelos governos do PT entre 2003 e 2016. Em especial na defesa dos micro e pequenos negócios, que representam a esmagadora maior parte das novas empresas criadas no Brasil todos os meses.

Para Haddad, é “fundamental conservar o tratamento diferenciado aos pequenos negócios”, seja por meio de leis específicas ou de parcerias com instituições como o Sebrae. Em relação a tecnologia e inovação, o programa delineia medidas que são principalmente voltadas à estrutura do Estado na administração desses temas.

Veja algumas promessas:

– Implantar uma “forte política de incentivo ao crédito para micro e pequenas empresas, utilizando, para isso o BNDES e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), instituições de microcrédito e também cooperativas.

– “Parcerias estratégicas” com o Sistema S, notadamente o Sebrae, para capacitar os empreendedores com base na premissa de inovação, e fomentar a criação de startups “fomentando a cultura empreendedora desde o ensino fundamental”, estimulando-a também por meio de universidades e cursos profissionalizantes.

– Elevar o orçamento de instituições como CNPQ e Capes, e abastecer o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico com recursos do Fundo Social do pré-sal;

 

++ Confira as propostas dos candidatos à presidência para o meio ambiente

 

4. Geraldo Alckmin (PSDB)
O programa de Alckmin é outro a citar o patamar de 2% do PIB gastos com pesquisa e desenvolvimento como objetivo a ser cumprido. Mas, diferentemente de outros, não dá um prazo para alcançar esta meta. E, diferentemente do programa de Fernando Haddad, a campanha do ex-governador de São Paulo foca suas intenções não em reforçar a estrutura estatal para fomentar a inovação, mas em preparar um ambiente para que terceiros protagonizem esse processo.

O programa também cita um projeto de “governo digital”, em que diversas tecnologias seriam adotadas para desburocratizar a vida do cidadão. Algumas diretrizes são:

– Inserir o empreendedorismo, a ciência e a inovação como temas do aprendizado escolar desde o ensino fundamental, e apoiar a formação de cientistas, técnicos e empreendedores pelo setor de ensino;

– Elaborar um novo programa nacional de disseminação de Ciência, Tecnologia e Inovação, e, posteriormente, integrar universidades, empresas, governo e fundo de investimentos com a regulamentação da área;

5. Guilherme Boulos (PSOL)
O programa do candidato tem como foco a redução das desigualdades. E, assim, nos pontos em que se refere a tecnologia e inovação, diz que ela deve servir de forma a suprir as necessidades sociais brasileiras. Os principais eixos citados são: mobilidade urbana, saneamento básico e recursos hídricos, e sistema de saúde, com foco no SUS.

Em termos concretos, algumas das propostas do programa de Guilherme Boulos são:

– Financiamento com taxas especiais do BNDES para inovação e investimentos nos setores considerados chave citados acima;

– Recriar o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação;

– “Aumento do controle social e público sobre as empresas” que realizem esses investimentos, utilizando instrumentos legais como o BNDESPar, que investe em empresas no mercado de capitais;

– Criar instituições públicas para venture capital e fundos não reembolsáveis para estimular iniciativas inovadoras;

– Elaborar um Plano Nacional de Ciência, integrando comunidade acadêmica, “tecido produtivo” e a sociedade civil para superação dos desafios nacionais;

6. Henrique Meirelles (PMDB)
Candidato que representa o legado do atual presidente Michel temer, Henrique Meirelles tem como principal objetivo em sua campanha “resgatar a confiança do Brasil”. Para chegar à meta estipulada de crescer 4% ao ano, o ex-presidente do Banco Central tem propostas que incluem recursos tecnológicos e a educação aliada à inovação para promover o desenvolvimento econômico.

Algumas delas são:

– “Simplificar e informatizar” a gestão de mão de obra, para facilitar a entrada dos jovens no mercado de trabalho;

– Criar um Gabinete Digital, diretamente ligado à Presidência, para ser um canal de ligação entre governo e população, pensando em soluções digitais que possam ser implementadas;

– Priorizar políticas que possam ser verificadas pelas pessoas na internet, aproveitando o percentual cada vez maior de brasileiros que acessam a web

7. Jair Bolsonaro (PSL)
Citando como exemplos ideais países como Estados Unidos, Israel e Coreia do Sul, todos com seus “hubs tecnológicos”, o candidato tem sua principal aposta na criação de um “ambiente favorável ao empreendedorismo”, por meio do comércio internacional principalmente.

Outras propostas aparecem espalhadas no documento, mostrando como sistemas de saúde e segurança, por exemplo, podem ser modernizados:

– Criação de um Prontuário Eletrônico Nacional Interligado como “o pilar de uma saúde na base informatizada e perto de casa”. Postos, ambulatórios e hospitais seriam todos informatizados, para gerar a integração de informações entre eles e facilitar o atendimento das pessoas;

– De forma semelhante, integrar os níveis municipal, estadual e federal de educação, para que possam trabalhar em conjunto;

– Fomentação do empreendedorismo nas universidades, parta que elas gerem “avanços técnicos” para o Brasil. A ideia é que “o jovem saia da faculdade pensando em abrir uma empresa”;

– Tornar o Brasil um “centro mundial de pesquisa e desenvolvimento em grafeno e nióbio”, materiais que hoje são explorados internacionalmente para criar ligas tecnologias que elevem a durabilidade e permita novos formatos de produtos;

– Explorar “vantagens comparativas” de cada região brasileira. Em um exemplo citado, aproveitar o potencial do Nordeste para a produção de energia a partir de fontes eólica e solar.

8. João Amoedo (Novo)
O principal destaque em relação à inovação no programa do candidato do Partido Novo diz respeito às atividades do próprio governo. Amoedo propõe um “Estado responsável, simples, digital, ágil e moderno”, usando a tecnologia para desburocratizá-lo e dar mais facilidade ao cidadão na relação com as instituições governamentais.

Outras propostas envolvem também práticas voltadas para a segurança pública e saúde. O candidato também afirma a intenção de facilitar a repatriação de talentos brasileiros no exterior, e mesmo atrair cérebros estrangeiros para o país.

Algumas propostas são:

– Ampliar o ensino técnico no segundo grau, formando jovens de forma voltada para o mercado de trabalho;

– Usar a tecnologia em investigações e prevenção a crimes;

– Melhor gestão e menos burocracia” nas universidades, fomentando parcerias de pesquisa das instituições públicas com o setor privado;

– Criar um “prontuário único, universal e com o histórico de paciente” na saúde;

– Criar uma “identidade digital única para todo cidadão”, além de integrar serviços públicos por meio da tecnologia, para deixá-los mais acessíveis às pessoas;

9. Marina Silva (Rede)
Na parte dedicada a Ciência, Tecnologia e Inovação de seu programa de governo, Marina, pela terceira vez candidata à Presidência da República, promete que irá tratar os recursos dessa área “como investimentos, não gastos”. Ela critica os custos elevados para se empreender e investir em tecnologia no Brasil, e delineia algumas propostas que visam à simplificação do acesso a ferramentas de empreendedorismo e inovação.

É possível notar uma atenção maior à estrutura do Estado, à sustentabilidade e à transparência na relação com a população. Algumas das ideias presentes são:

– Recriar o Ministério da Ciência e Tecnologia e revitalizar o orçamento da área perdido nos últimos anos, elevando os gastos a 2% do PIB;

– Eliminação de “barreiras tarifárias e não tarifárias” para a contratação, no exterior, de equipamentos e serviços que ajudem a pesquisa no Brasil;

– Usar linhas de crédito do BNDES para financiar projetos inovadores, e utilizar microcrédito para pequenos empreendedores e projetos locais de impacto socioambiental;

– Incentivar a geração de energia limpa e a substituição de carros movidos a combustível fóssil por veículos elétricos e à base de biocombustível;

– Usar a digitalização dos canais de comunicação para divulgar com maior transparência indicadores sociais e econômicos;

– Universalizar o acesso à banda larga no Brasil, equiparando a internet a eletricidade e água como serviço essencial ao cidadão.

 

Não deixe de curtir nossa página no Facebook e também no Instagram para mais notícias do JETSS