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Novos estudos comprovam que o processo intuitivo é muito mais racional do que se imaginava. E que o instinto é uma ótima ferramenta para tomar decisões na vida profissional e pessoal. Saiba como.

“O processo intuitivo se caracteriza pelo ato de pensar sem fazer esforço”, diz Tilmann Betsch, pesquisador do departamento de psicologia da Universidade de Erfurt, na Alemanha.  Mas essa espécie de insight instintivo caminha lado a lado com a experiência, garantem os especialistas. É muito mais fácil, por exemplo, ter uma intuição depois de anos de profissão. A segurança do conhecimento faz brotar com mais facilidade a capacidade intuitiva.

Presidente-fundador do site de comparação de preços Buscapé, o multimilionário Romero Rodrigues, 35 anos, afirma que sempre prestou muita atenção à sua intuição. Desde quando, aos 21 anos, fundou com três amigos a página da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), investindo R$ 100. Foi com a ajuda dessa percepção aguçada que ele buscou investidores nos primeiros dez anos do site, comprou concorrentes como o Bondfaro, do Rio de Janeiro, e vendeu o Buscapé, em 2009, para o grupo sul-africano Nespers, por R$ 600 milhões. “As vezes em que não dei atenção à minha sensibilidade, me dei mal”, diz o empresário.

Apesar de os estudos se voltarem mais para o âmbito profissional, é sabido que a vida pessoal é terreno fértil para a exploração do instinto. Os lampejos intuitivos da professora de dança paulistana Cibele Felix, de 33 anos, por exemplo, a acompanham desde a infância e, recentemente, têm se apresentado com mais clareza e objetividade em seus sonhos. Foi enquanto dormia que Cibele viu o fim de um relacionamento de mais de 15 anos. “Não tinha nada de errado acontecendo entre a gente, tudo parecia bem, mas vivia tendo sonhos sobre o fim do relacionamento”, diz. Neles, o companheiro abandonava Cibele para viajar. Ela acordava aflita, com o coração apertado e desconfiada. “Minha intuição não costuma falhar”, diz.

Segundo especialistas, não é comum sonhos trazerem manifestações intuitivas tão completas e diretas quanto as de Cibele. Em casos de fim de namoro, por exemplo, a intuição, principalmente em sonho, costuma vir na forma de uma mensagem mais cifrada, sugerindo um desconforto genérico com um homem que não precisa necessariamente ser o companheiro. “Em alguns casos, porém, acontece de a mensagem vir completa sim”, diz Liliana Wahba, professora-doutora de psicologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e analista junguiana, escola de psicanálise que dá especial atenção aos sonhos. “O que ela viu enquanto dormia traduziu, de forma objetiva, o que ela já vinha percebendo inconscientemente, mas não conseguia articular”, afirma Liliana. Os 15 anos de convivência deram a Cibele uma sensibilidade maior às mudanças do companheiro, mesmo quando nem ela percebia, de forma consciente, que algo nele havia mudado. Cerca de duas semanas depois do sonho, o relacionamento de Cibele acabou e ela chegou a antever, em outro sonho, quem era a nova namorada de seu antigo amor. “Às vezes essas histórias até me assustam”, diz ela.

“A intuição não é mística, esotérica nem religiosa”, afirma a psicóloga Inês Cozzo. “Ela é simplesmente mais uma fonte de informação”.