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Assim como aconteceu com Rodrigo Rodrigues, COVID-19 pode causar trombose venosa cerebral

O jornalista Rodrigo Rodrigues, de 45 anos, morreu nesta terça-feira (28) após sofrer uma trombose venosa cerebral (TVC) decorrente da covid-19.

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Rodrigo teve o diagnóstico da doença confirmado há cerca de 15 dias. Nos primeiros dias ele disse que estava bem, porém, foi apresentando sintomas como vômitos, dores de cabeças e tontura e procurou a emergência do Hospital Unimed-Rio, no Rio de Janeiro, no último final de semana. Lá, ele passou por um procedimento cirúrgico, após apresentar uma trombose venosa cerebral (TVC), para aliviar a pressão intracraniana.

Em nota oficial, o hospital informou que o paciente encontrava-se em estado grave e coma induzido, na UTI desde o domingo, e que na manhã desta terça-feira, após a realização de protocolo de avaliação, foi atestada a sua morte encefálica.

O que é a trombose venosa cerebral (TVC)

A trombose venosa cerebral é um problema de circulação que acontece nas veias do cérebro. Ela é causada pela formação de uma espécie de bloco de sangue com consistência mais sólida, ou seja, menos fluida – o chamado coágulo.

Coronavírus e danos cerebrais 

No início da pandemia, assim que o coronavírus apareceu no mundo, acreditava-se que o vírus atacava apenas os pulmões e o aparelho respiratório. Porém, com o tempo, profissionais da saúde foram realizando pesquisas profundas que mostram que a doença atinge também coração, vasos sanguíneos, nervos, rins e até a pele.

Mais recentemente, cientistas alertaram que o vírus ainda pode estar por trás de alguns danos cerebrais importantes, como tromboses – caso de Rodrigues – e acidente vascular cerebral (AVC).

No início de julho, um estudo realizado por pesquisadores da University College London (UCL), do Reino Unido, e publicado na revista científica Brain, indicou que o SARS-CoV-2 causa complicações neurológicas mesmo em pacientes com sintomas leves ou em recuperação, sendo que, muitas vezes, elas não são sequer detectadas ou então o são bem mais tarde.

Os especialistas analisaram 43 pessoas, com idade entre 16 e 85 anos, com confirmação ou suspeita de covid-19. Dessas, 12 sofreram inflamação no sistema nervoso central, dez tiveram encefalopatia transitória (doença cerebral), com sintomas de delírios ou psicose, oito tiveram AVC e, outras oito, problemas nos nervos periféricos, sobretudo com o diagnóstico da Síndrome de Guillain-Barré (SGB), reação imunológica que ataca os nervos e causa paralisia.

Dentre as 12 com inflamação cerebral, nove apresentaram encefalomielite aguda disseminada (ADEM, na sigla em inglês), patologia rara que provoca a destruição degenerativa do sistema nervoso central e afeta os nervos no cérebro e na medula espinhal. A equipe da UCL, em geral, atendia um paciente adulto com esta enfermidade por mês, porém, com a pandemia, os casos subiram para um por semana.

De acordo com o estudo, o vírus causador da covid-19 não foi detectado no líquido cefalorraquidiano, ou fluído do cérebro, de nenhuma das pessoas analisadas, o que sugere que ele não ataca diretamente o órgão para causar a doença neurológica.

No entanto, os pesquisadores encontraram evidências de que a inflamação cerebral provavelmente é causada por uma resposta imune à doença. Segundo eles, mais análises são necessárias para entender exatamente como se dá a relação entre o SARS-CoV-2 e o cérebro.

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