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Em 20 anos, vacina deve ter menos doses e proteger mais, diz estudo

Celebrado neste último domingo (9 de junho), o Dia Nacional da Imunização tem por objetivo conscientizar as pessoas sobre a importância das vacinas para prevenir doenças. Para atualizar a população, o responsável pelo Laboratório de Desenvolvimento de Vacinas da USP (Universidade de São Paulo) e diretor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Luís Carlos Ferreira revelou que “Em um futuro próximo, o esquema de imunização com uma série de vacinas poderá ser substituído por uma ou poucas doses de imunizantes”. Segundo sua avaliação, uma nova geração de vacinas está sendo estudada e que, em cerca de 20 anos, será possível proteger as crianças ao longo de suas vidas com menos doses do que são aplicadas hoje.

Segundo Ferreira, “As vacinas garantem, hoje, a milhões de pessoas a chance de viver. Tomar ou não tomar uma vacina é uma garantia para que crianças, adultos e idosos tenham uma chance de sobrevida maior, evitando doenças que, em outros momentos na história da humanidade, levaram milhões de vidas.”.

Isso é um fato que está sendo observado não só no Brasil, mas em outros países, justamente pelo sucesso das vacinas. O fato de as vacinas terem eliminado ou reduzido drasticamente alguns tipos de doenças, como a varíola, que foi erradicada e, no passado, matou milhões de pessoas. E mesmo o sarampo, catapora, caxumba, rubéola e outras. Essas doenças, com o advento das vacinas, que foram desenvolvidas no século passado e são muito eficazes, praticamente sumiram ou desapareceram do convívio das famílias. Com isso, ocorreu a sensação de uma segurança a ponto de as pessoas não se preocuparem mais em usar vacinas, visto que as doenças não eram mais detectáveis. Por outro lado, uma campanha de algumas pessoas e grupos alegando que vacinas poderiam ser prejudiciais à saúde humana. Hoje, isso tudo foi desmentido. O fato de as doenças não estarem circulando mais em nosso meio como no passado e toda uma campanha negativa sobre a vacina fizeram com que a adesão diminuísse.

O Ministério da Saúde divulgou um levantamento informando que houve queda na cobertura vacinal de crianças com menos de dois anos. O que tem levado os pais a não manter a carteira de vacinação dos filhos atualizada?
A dificuldade de manter em dia o calendário vacinal, particularmente para crianças, também é uma consequência do sucesso das vacinas. Hoje, temos cerca de 40 vacinas que já estão disponíveis para utilização em diferentes contextos e em diferentes faixas de idade do indivíduo. Uma parcela delas, incluída no Plano Nacional de Imunizações, é voltada para crianças. Só que o número de vacinas tem aumentado a cada ano. Com isso, o número de idas ao posto de saúde (aumenta) e algumas vacinas são aplicadas em até três doses, o que sobrecarrega esse calendário vacinal e faz com que os pais tenham dificuldade de manter a fidelização desse regime vacinal, que precisa ser seguido.

Como enfrentar isso?
Com um cadastro nacional digitalizado, que os pais recebessem um aviso, poder chegar mais próximo das crianças e oferecer postos de vacinação nas próprias escolas ou nas creches, mas isso tem um custo a ser considerado. Mas eu, como cientista, e muitos grupos no mundo temos buscado, pelo conhecimento científico, solucionar esse problema. Gerando um conhecimento que nos permita chegar a uma nova vacina, no futuro, que tenha características bem diferentes das atuais. Essa nova vacina tem como intuito reduzir dramaticamente o número de vacinas e de doses que as pessoas precisariam tomar para ficarem protegidas não só contra uma, mas contra várias doenças infecciosas e talvez até doenças degenerativas que afetam crianças, adultos e idosos. Ela não está disponível, está sendo pesquisada em modelos experimentais.