Quilombo Pitanga dos Palmares sofre ataques após assassinato de suspeito da morte de Mãe Bernadete

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Pichação em muro da antiga igreja do Quilombo Pitanga dos Palmares exaltando ‘Maquinista’ (Foto: Instagram)

Nos últimos dias, o Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, região metropolitana de Salvador, tem sido alvo de pichações e ameaças atribuídas à facção Bonde do Maluco. A onda de hostilidade reacende o caso de Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, cuja morte, em agosto de 2023, provocou comoção nacional.

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Segundo moradores, as ações de vandalismo começaram logo após a morte de Marílio dos Santos, apontado pelas investigações como mandante do assassinato da líder quilombola. Conhecido como “Maquinista”, Marílio era tido como um dos principais nomes do crime organizado na Bahia e foi abatido durante operação policial na cidade de Catu.

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Em várias partes do quilombo surgiram frases de exaltação a Marílio, como “nunca será esquecido”, pichadas em casas, prédios públicos e espaços de culto. Esses atos aumentaram o clima de apreensão, levando muitos moradores a restringirem saídas e a evitarem contato com a imprensa, com medo de retaliações.

As inscrições também atingiram a igreja em que Mãe Bernadete atuava, reforçando a sensação de insegurança. Escolas e serviços essenciais passaram a funcionar com maior cautela, já que pais relataram receio de enviar crianças às aulas, temendo novos episódios de violência.

Diante da escalada, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia reforçou o policiamento no entorno do quilombo. Em nota oficial, o órgão afirmou que equipes especializadas permanecem em patrulha constante para proteger residentes de Simões Filho e impedir novos ataques, embora líderes comunitários digam que a tensão ainda persista.

O assassinato de Mãe Bernadete ocorreu em 13 de agosto de 2023, dentro do próprio quilombo. Reconhecida pela defesa dos direitos das comunidades quilombolas, ela denunciava ameaças frequentes. Em julgamento recente, Arielson da Conceição dos Santos foi condenado a 40 anos de prisão como executor do crime. Marílio dos Santos já havia sido sentenciado a 29 anos como mandante, mas foi morto antes de iniciar o cumprimento da pena. Outros três acusados aguardam julgamento.

Especialistas em direitos humanos destacam que o caso evidencia a fragilidade de lideranças comunitárias diante da ação de facções criminosas. Organizações que defendem comunidades tradicionais pedem medidas mais amplas de proteção e maior presença estatal em áreas vulneráveis. Enquanto isso, residentes do quilombo aguardam ações concretas que possibilitem o retorno à rotina com tranquilidade.