
EUA designam PCC e CV como organizações terroristas, sem autorizar ação militar no Brasil (Foto: Instagram)
Os Estados Unidos afirmaram que a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas não autoriza qualquer ação militar em solo brasileiro. Segundo o Departamento de Estado, a iniciativa tem como objetivo ampliar o arsenal de medidas contra as quadrilhas, incluindo sanções financeiras, bloqueio de bens, restrição de vistos e medidas para interromper suas fontes de financiamento.
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A designação oficial do PCC e do CV passou a vigorar em 5 de junho de 2026, conforme comunicado norte-americano. Em entrevista ao Portal R7, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, reforçou que a medida não autoriza operações militares no Brasil, descartando qualquer possibilidade de intervenção armada por parte dos EUA.
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Roberson explicou que a designação baseia-se em leis antiterrorismo dos EUA, que não preveem o emprego de força militar nesse tipo de medida. “Nossa lei é muito clara. Essa lei das designações não contempla nenhum tipo de ação militar. É o Departamento de Guerra dos Estados Unidos que tem responsabilidade pelas ações militares”, ressaltou a porta-voz.
Entre os mecanismos previstos pela nova classificação estão o bloqueio de bens de membros das facções nos EUA, restrições e cancelamentos de vistos, deportações de indivíduos identificados em território norte-americano e a criminalização de qualquer suporte financeiro ou logístico a esses grupos. De acordo com Roberson, o objetivo é “estrangular suas fontes de recursos e de apoio” para frear as atividades criminosas no Brasil, em outros países da região e nos Estados Unidos.
A porta-voz também afirmou que, embora a legislação americana preveja revisões periódicas dessas designações, a reversão costuma ser rara. No momento, o governo dos EUA está concentrado na aplicação das novas sanções e na utilização plena dos instrumentos legais disponíveis para combater o crime organizado internacional.
Amanda Roberson destacou que a presença e as operações do PCC e do CV em território norte-americano foram fundamentais para a decisão. As autoridades identificaram atividades das facções em cerca de um quarto dos estados dos EUA, incluindo Nova York, Nova Jersey, Flórida e Massachusetts. Questionada sobre possíveis reflexos no sistema de pagamentos Pix, ela evitou fazer previsões, afirmando que a fase de implementação ainda é recente e que “é impossível, neste momento, falar sobre casos individuais”.
O anúncio da designação ocorreu dias depois de uma reunião na Casa Branca entre o presidente Donald Trump e o senador Flávio Bolsonaro, que relatou ao governo americano a necessidade de tratar as facções como organizações terroristas. Indagada sobre influência de lideranças políticas brasileiras na decisão, Roberson garantiu que as decisões são tomadas de forma independente, com foco na segurança nacional e na economia dos Estados Unidos.








