
Mulher presa acusada de se passar por criança (Foto: Instagram)
Amanda Maria Souza Oliveira, de 37 anos, que se autodenomina ‘Órfã Brasileira’, está sendo acusada de usar identidade falsa para se passar por uma criança de 12 anos e, assim, obter acolhimento de diversas famílias e instituições. Segundo investigações, ela construiu uma rede de manipulação baseada em narrativas forjadas de abandono, violência e vulnerabilidade. Atualmente, responde judicialmente por estelionato e por uso de falsa identidade.
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O esquema se espalhou por ao menos cinco estados do país, envolvendo projetos sociais, abrigos e lares de acolhida. Vítimas relatam que Amanda inventava histórias dramáticas para despertar empatia: descrevia abusos físicos, exploração sexual e longos períodos de isolamento em instituições. Conforme as versões, ela assumia a persona de ‘Carolina’ e conseguia alterações em regimes de visitação, recursos e até celebrações de aniversário, tudo para reforçar a credibilidade de sua trama.
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O início do contato ocorreu em 2017, quando a assistente social Delma Soares, diretora de um projeto em Belo Horizonte, passou a ajudar a suposta ‘Carolina’. Atrás da aparência infantil, Amanda adotava roupas coloridas, acessórios temáticos e chorava frequentemente para reforçar a ideia de fragilidade. Ela demonstrava forte dependência emocional, chamava adultos de “tios” e “tias” e usava relatos de violência sexual para sustentar seu relato.
Com o tempo, pequenas contradições nas histórias começaram a alarmar Delma e outras pessoas próximas. Ao questioná-la sobre detalhes de sua trajetória, Amanda teria abandonado a postura de menina e reagido de forma violenta: chegou a quebrar móveis durante uma discussão. Foi então que o grupo de apoio percebeu que a suposta criança poderia, na verdade, ser uma mulher adulta.
Após as suspeitas, Amanda deixou Belo Horizonte e se mudou para outro estado. Somente cerca de um ano depois, documentos oficiais — como certidão de nascimento e registros escolares — vieram à tona e confirmaram que ela tinha 37 anos. Essa comprovação encerrou de vez a dúvida a respeito de sua real identidade e interrompeu o ciclo de fraudes.
Em Joinville, Santa Catarina, a suposta “menina” viveu por 14 meses com outra família que acreditava estar ajudando uma garota vulnerável. A hospitalidade foi tanta que os anfitriões organizaram uma festa de 12 anos para ela. Após a descoberta da farsa e a prisão em flagrante, eles relataram choque e decepção diante da manipulação sofisticada.
Hoje, Amanda responde por estelionato e falsa identidade, mas o caso também abriu espaço para discussões sobre transtornos mentais e as falhas dos sistemas de acolhimento ao lidar com comportamentos manipulativos. Delma Soares afirma que a acusada já passou por internações e outras intervenções ao longo dos anos, mas seguia retomando o ciclo em novas cidades, com identidades diferentes e narrativas renovadas.








