
Golpe de adoção: mulher adulta fingiu ser criança por 14 meses em Joinville (Foto: Instagram)
Uma mulher de 37 anos foi detida em Joinville, no Norte de Santa Catarina, após manter uma relação de convivência de cerca de 14 meses com uma família que acreditava estar adotando uma adolescente de 12 anos. A Polícia Civil chegou até o caso depois que uma parente dos supostos adotivos percebeu incoerências na idade e denunciou a situação. Em depoimento, a suspeita relatou ter usado histórias de maus-tratos e atitudes infantilizadas para dar veracidade à sua identidade falsa.
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De acordo com o inquérito, a acusada foi apresentada à família por meio de uma igreja local, onde contou que teria sofrido violência na infância e afirmado ser portadora de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Comovido, o pastor a acolheu inicialmente e depois a levou à casa de um casal frequentador da congregação. Aos poucos, ela conquistou a confiança dos supostos pais adotivos e passou a ser tratada como membro efetivo do lar.
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Mesmo sem a adoção formal, o casal chegou a considerar medidas como a regularização legal da guarda e a matrícula da suposta adolescente em uma instituição de ensino local. Para evitar qualquer procedimento burocrático, a investigada recorreu a argumentos emocionais, alegando que uma adoção oficial poderia expor sua localização ao pai biológico, descrito por ela como uma figura abusiva. Durante o convívio, ela vivia em um quarto decorado com objetos infantis e reforçava a farsa ao usar mamadeira, chupeta e simular crises de choro e pânico.
A farsa começou a desmoronar quando uma tia de um dos adotivos, intrigada pela situação, fez buscas online e encontrou notícias de golpes similares atribuídos à mesma mulher em ao menos cinco estados — São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás. Com esse histórico, a Polícia Civil de Santa Catarina passou a investigar a suspeita, reunindo provas de que ela já havia cometido estelionato e falsidade ideológica em outras ocasiões.
Em depoimento oficial, a acusada confessou ter orquestrado o golpe e usou narrativas emocionais para obter apoio e, em alguns momentos, até pediu ajuda financeira ao casal para manter sua suposta condição de menor vulnerável. Presa em flagrante por estelionato e uso de documento falso, ela foi encaminhada ao Presídio Regional de Joinville, onde permanece à disposição da Justiça. A investigação prossegue para identificar outras vítimas e mapear a extensão do esquema.
O caso chamou a atenção por remeter ao enredo do longa-metragem “A Órfã” (2009), no qual uma mulher adulta se passa por criança para enganar uma família que a adota. Internautas e pessoas próximas ao processo apontaram semelhanças em táticas de manipulação, construção de identidade infantil e coerção emocional, destacando a dificuldade de perceber a fraude ao longo de mais de um ano de convivência.







