Mãe de Tainara conta que filha despertou do coma e teve última conversa antes de falecer

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Tainara Souza Santos, sorridente em registro antes do atropelamento e arrastamento na Marginal Tietê (Foto: Instagram)

A mãe de Tainara Souza Santos, a vendedora vítima de um atropelamento seguido de arrastamento na Marginal Tietê, em São Paulo, revelou que a filha chegou a acordar do coma e manteve uma conversa com ela nos últimos dias de vida. Lúcia Aparecida Souza da Silva contou o relato meses após a morte de Tainara, que não resistiu aos ferimentos causados pelo crime.

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Segundo Lúcia, a jovem esteve consciente por cerca de dez dias no Hospital das Clínicas, compreendendo plenamente a gravidade das lesões. Ela demonstrou preocupação imediata com a família, questionando a mãe sobre o estado de saúde dos filhos e perguntando se Lúcia estava bem. O relato ganhou força pouco antes da decisão da Justiça que enviou o acusado a júri popular.

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No diálogo, Tainara perguntou: “Mãe, meus filhos estão bem? A senhora está bem?”, e, ao ser informada de que todos estavam bem, afirmou saber o que havia ocorrido. “Estou sem as minhas pernas, né? Fui arrastada pelo carro”, disse, segundo Lúcia. Mesmo em situação tão grave, ela mostrou força de vontade de lutar pela recuperação em nome dos filhos e da mãe.

Em outra ocasião, ao saber que Douglas Alves da Silva, acusado pelo crime, afirmava não conhecê-la, Tainara reagiu com indignação. “Ele não me conhece? Espera só eu sair daqui para ver se ele não me conhece”, teria dito. A declaração difere da versão apresentada por Douglas à polícia, que negou qualquer relação com a vítima e disse que o atropelamento resultou de confusão com outra pessoa.

As investigações, porém, apontaram que Tainara e Douglas mantiveram um relacionamento anterior e que o crime foi motivado por ciúmes. A mãe revelou que preferiu não divulgar o despertar da filha para resguardar a privacidade em um momento delicado. Somente após enfrentar o luto e reviver os fatos durante audiência judicial ela decidiu compartilhar o episódio.

O atropelamento ocorreu em 29 de novembro de 2025, quando Tainara foi atingida e arrastada por cerca de um quilômetro na Marginal Tietê. Socorrida em estado gravíssimo, passou por múltiplas cirurgias no Hospital das Clínicas, teve as duas pernas amputadas e foi submetida a procedimentos para conter infecções e reparar lesões na bacia. Apesar dos esforços, a vendedora faleceu em 24 de dezembro de 2025, véspera de Natal, em decorrência de septicemia.

A Justiça de São Paulo determinou que Douglas Alves da Silva responda a júri popular pelos crimes de feminicídio e tentativa de homicídio contra Lucas Brito Galvão Silva, amigo de Tainara. Ele segue preso preventivamente. A defesa contesta a tipificação e alega não ter conhecido a vítima, enquanto a investigação sustenta a intenção deliberada pelo ciúme. A data do julgamento ainda será definida pela Vara Criminal.