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Pesquisa indica quais profissões concentram as maiores fortunas


Concentração de riqueza no serviço público do Espírito Santo (Foto: Instagram)

Um levantamento do Observatório de Empresas do Espírito Santo, coordenado pelo especialista em Políticas Públicas Daniel Gonçalves Galvêas, analisou 803.853 declarações do Imposto de Renda relativas ao exercício de 2026. Utilizando dados do painel público da Receita Federal, o estudo abrange contribuintes dos 78 municípios capixabas em 132 categorias profissionais. O trabalho identifica as ocupações que detêm os maiores patrimônios e rendas no estado, evidenciando a concentração de riqueza em carreiras ligadas ao poder público e ao sistema de Justiça.

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O ranking de patrimônio médio mostra que titulares de cartório lideram com R$ 5,89 milhões em bens declarados, seguidos pelos membros do Ministério Público (promotores e procuradores), com R$ 2,91 milhões. Magistrados e conselheiros dos Tribunais de Contas aparecem em terceiro lugar, com R$ 2,57 milhões, enquanto procuradores e defensores públicos atingem média de R$ 1,45 milhão. Essas quatro categorias ocupam as primeiras posições e representam o predomínio do serviço público entre os maiores patrimônios do Espírito Santo.

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O estudo ressalta ainda que a primeira atividade pertencente exclusivamente ao setor privado surge apenas na quinta posição do ranking, confirmando a supremacia das carreiras estatais entre os declarantes mais abastados. Dos seis cargos com maior remuneração anual, quatro integram o Judiciário ou órgãos de controle e fiscalização do Estado, o que reforça a presença marcante dessas carreiras na esfera dos salários mais elevados capixabas.

Ao se analisar os rendimentos anuais, esse padrão se repete: magistrados, promotores, procuradores, defensores públicos e demais profissionais jurídicos e fiscais representam apenas 1,18% dos declarantes, mas apresentam rendimento médio de R$ 455,4 mil por ano e patrimônio médio de R$ 981 mil. Esses valores são cerca de 2,9 vezes superiores à média de todos os contribuintes do Espírito Santo, evidenciando a disparidade entre as categorias.

Quando os titulares de cartório são incluídos nesse grupo seleto, a renda média anual sobe para R$ 495,7 mil, reforçando ainda mais a excelência salarial dessas carreiras no cenário estadual. Para Daniel Galvêas, esse levantamento buscou verificar se a tendência de concentração de renda e patrimônio observada em estudos nacionais se confirmava na realidade capixaba, servindo como base para debates sobre desigualdade e políticas públicas.

O pesquisador enfatiza que a disponibilização dos dados públicos da Receita Federal constitui uma ferramenta valiosa para gestores, acadêmicos e cidadãos interessados em compreender o perfil econômico dos contribuintes. Segundo ele, a transparência dessas informações pode subsidiar decisões de planejamento, controle social e propostas voltadas à redução de desigualdades no Espírito Santo.

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