
Ex-membro do PCC lança livro e refuta posição na facção (Foto: Instagram)
Frank retornou ao centro das discussões com o lançamento de seu livro, no qual detalha a experiência que afirma ter vivenciado dentro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Em entrevista ao Bacci Notícias, ele responde a questionamentos sobre seu passado, relembra o tribunal do crime que o fez abandonar a facção, relata as ameaças que diz enfrentar até hoje e descreve como tenta reconstruir a vida longe do crime organizado.
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Poucas histórias despertam tanta curiosidade quanto a de quem assegura ter integrado o PCC entre 2016 e 2023, conseguido sair e, anos depois, transformado a trajetória em livro. O lançamento da obra de Frank Willians coincidiu com declarações do promotor Lincoln Gakiya, coordenador do Gaeco em São Paulo, questionando o real peso do ex-integrante dentro da facção.
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Frank ganhou projeção nacional ao comentar publicamente a atuação das facções nas redes sociais, divulgar denúncias e analisar episódios ligados ao crime organizado. Em resposta a Gakiya, ele afirma que nunca se apresentou como parte da alta cúpula do PCC, mas como integrante de “quebrada”, equivalente à “quinta categoria” dentro da hierarquia criminosa.
Segundo o ex-membro, a divergência surgiu por informações equivocadas repassadas ao promotor. “Levaram para ele que eu dizia ser do alto escalão, e eu nunca falei isso”, declarou. Ainda que reconheça o trabalho de Gakiya à frente do Gaeco, Frank aponta falhas na estratégia contra o crime organizado, alegando que, em duas décadas, o PCC quadruplicou de tamanho.
O ponto decisivo para deixar a facção ocorreu durante um tribunal do crime, quando recebeu convite para acompanhar via videochamada o julgamento de um primo acusado de tentativa de estupro de uma usuária de crack. A confissão pública do familiar resultou na classificação dele como “jack”, pena que, na prática, significava sentença de morte decretada pelos integrantes.
Nas últimas conversas, captadas pela videochamada, Frank ouviu a sentença: “Nós vamos matar seu primo. Você quer vir pessoalmente presenciar?” Ele recusou participar ou assistir ao assassinato. Nos instantes finais, o primo o agradeceu com um simples “Obrigado, primo”. Pouco depois, soube que o homem foi executado com golpes de picareta na cabeça.
A mudança de vida foi consolidada em um momento cotidiano: ao brincar com os filhos, percebeu que não precisava mais do crime para manter bens e conforto. Decidiu sair do PCC, antecipando que, no universo da facção, abandonar o grupo exige autorização interna, geralmente condicionada a conversão religiosa ou doenças graves. Hoje, decreta ser alvo de todas as facções criminosas do Brasil e vive em constante deslocamento para garantir sua segurança.








