
Viatura da Polizia na pequena Altavilla Milicia, Sicília (Foto: Instagram)
O assassinato de uma família durante um suposto ritual de exorcismo voltou a repercutir na Itália após a revelação de novos detalhes na investigação. O pedreiro Giovanni Barreca, de 54 anos, admitiu ter tirado a vida da esposa e de dois filhos com a crença de expulsar demônios que estariam habitando o lar. Ao confessar, ele trouxe à tona aspectos sombrios do que classificou como um exorcismo macabro.
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Mais de dois anos depois do crime que chocou o país, ocorrido em 11 de fevereiro de 2024, na pequena Altavilla Milicia, na Sicília, as autoridades seguem apurando o modus operandi e a possível participação de outras pessoas. Antonella Salamone, de 41 anos, e os filhos Kevin, então com 15 anos, e Emanuel, de 5, foram vítimas de extrema violência.
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Segundo o inquérito, Antonella foi assassinada alguns dias antes dos meninos, e o corpo dela foi localizado carbonizado e enterrado em um terreno próximo à casa da família. Quando os policiais chegaram ao local, encontraram vestígios de fogo e sinais de escavação. Já os corpos de Kevin e Emanuel foram achados dentro do imóvel, com marcas de estrangulamento e de serem amarrados por correntes, evidenciando brutalidade extrema.
No interior da residência, os peritos identificaram restos de animais com sinais de tortura, como ossos quebrados e peles queimadas, sugerindo sacrifícios ligados ao ritual. Em mensagens trocadas, Barreca descrevia ter realizado invocações com o intuito de “purificar” cada cômodo, convencido de que entidades malignas precisavam ser expulsas.
A única sobrevivente foi a filha mais velha do casal, então com 17 anos, que foi encontrada em estado de choque dentro da casa. Em depoimento à polícia, a adolescente relatou que o pai acreditava estar realizando um exorcismo para livrar o lar e os familiares de forças demoníacas.
Logo após os assassinatos, Giovanni ligou para a polícia e fez a confissão. Durante as diligências, os investigadores descobriram que ele havia procurado o casal Sabrina Fina, de 42 anos, e Massimo Carandente, de 50, pouco depois do crime. O trio havia se conhecido em uma igreja evangélica local, onde compartilhavam conteúdos relacionados a possessões e exorcismos, e, segundo o inquérito, Sabrina e Massimo teriam incentivado aquela tragédia ao reforçar as crenças do pedreiro.
Atualmente, Giovanni, Sabrina e Massimo respondem à acusação de homicídio múltiplo e ocultação de cadáver perante a Justiça italiana. O processo ainda está em curso, com testemunhas sendo ouvidas e perícias complementares em andamento. O caso volta a chamar atenção para a influência de crenças extremas e para a fragilidade de mecanismos de prevenção em comunidades isoladas.
