A trajetória de Phoolan Devi ficou marcada por uma sucessão de episódios que atravessaram diferentes fases da história recente da Índia. Casada ainda na infância, ela foi vítima de abusos, discriminação e violência ao longo dos primeiros anos de vida. Mais tarde, ingressou em um grupo armado, tornou-se uma das pessoas mais procuradas do país e, depois de passar mais de dez anos presa sem julgamento, foi eleita duas vezes para o Parlamento indiano. Em 2001, foi assassinada em frente à própria residência.
Nascida em uma família de baixa casta no estado de Uttar Pradesh, Phoolan foi entregue em casamento quando tinha cerca de 11 anos. Após fugir da casa do marido, foi rejeitada pela comunidade e, posteriormente, sofreu novas agressões. Segundo os registros sobre sua trajetória, ela também foi presa, espancada e estuprada após ser denunciada por um parente.
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Anos depois, enquanto vivia entre grupos de assaltantes, Phoolan foi sequestrada por uma quadrilha rival e levada para a aldeia de Behmai. Durante o período em que permaneceu no local, foi submetida a sucessivos estupros e humilhações públicas antes de ser expulsa da comunidade. Na ocasião, prometeu que retornaria.
O episódio que mudou definitivamente sua história aconteceu em 14 de fevereiro de 1981. À frente de um grupo de dacoits, como são conhecidos os assaltantes de estrada em partes da Índia, ela voltou a Behmai. Na ação, 22 homens da aldeia foram mortos, fato que ficou conhecido como o Massacre de Behmai e fez de Phoolan uma das mulheres mais procuradas pelas autoridades indianas.
Entre 1981 e 1983, ela liderou um bando que realizou assaltos a aldeias, trens e caminhões em diferentes regiões do norte do país. Em algumas localidades, obrigava moradores mais ricos a entregar dinheiro e joias, distribuindo parte dos bens entre famílias pobres. A atuação fez com que fosse vista de formas distintas pela população: enquanto era considerada criminosa por parte da sociedade, também ganhou fama entre pessoas que a enxergavam como alguém que enfrentava desigualdades sociais.
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Em 1983, Phoolan negociou sua rendição com as autoridades. Ela permaneceu presa por 11 anos sem julgamento até receber um indulto parcial em 1994. Na época, as autoridades levaram em consideração as circunstâncias de violência que marcaram sua vida.
Após deixar a prisão, mudou-se para Nova Délhi, casou-se novamente e ingressou na política. Em 1996, foi eleita deputada pelo Partido Samajwadi, conquistando um novo mandato nas eleições de 1999.
A história de Phoolan Devi chegou aos cinemas com o filme A Rainha dos Bandidos, dirigido por Shekhar Kapur. Apesar da repercussão internacional da produção, ela manifestou incômodo com a exposição pública dos episódios de violência que enfrentou.
Em 2001, Phoolan Devi foi morta a tiros em frente à sua casa, em Nova Délhi. As circunstâncias do crime geraram diferentes linhas de investigação. Desde então, sua trajetória continua sendo alvo de debates na Índia, dividindo opiniões entre aqueles que a consideram responsável por crimes graves e os que a veem como uma mulher que resistiu à violência e às desigualdades enfrentadas ao longo da vida.















