Vítima de casal de pastores sofreu abuso em seu aniversário de 12 anos

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Suspeitos de crimes contra adolescentes em Roraima são procurados pela polícia (Foto: Instagram)

A Polícia Civil de Roraima indiciou Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamyla Moraes de Souza, de 24 anos, por crimes contra adolescentes, entre eles estupro de vulnerável e importunação sexual. As investigações apontam que o casal aproveitava a liderança religiosa, transferências via Pix e intimidação para calar as vítimas, que tinham entre 12 e 17 anos. A primeira delas sofreu abuso exatamente no dia em que completou 12 anos.
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Conforme depoimento à polícia, no dia de seu aniversário, Wenderson foi até a casa da menina, presenteou-a com chocolates e a convidou a ir até sua residência. Durante o trajeto, ele desviou o caminho para uma rua sem movimento e propôs uma “brincadeira” de adivinhar e mostrar a cor da roupa íntima de cada um. Assustada, a adolescente obedeceu e foi submetida ao ato abusivo.
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Outra vítima, então com 17 anos, procurou a Polícia Civil após tomar conhecimento da denúncia inicial. Ela relatou ter aceitado uma carona de Wenderson, que estacionou o carro em local isolado e tentou aplicar a mesma “brincadeira”. Ao recusar, a jovem foi surpreendida pela retirada forçada da blusa, seguida de toques íntimos. Em seguida, o pastor exibiu vídeos em que aparecia mantendo relações sexuais com Arielly e fez uma transferência via Pix para a adolescente.

De acordo com o inquérito, outras quatro adolescentes, entre 12 e 17 anos, também relataram situações semelhantes. O casal utilizava o status de liderança religiosa para ganhar a confiança das meninas e de seus familiares, criando um ambiente propício para praticar abusos sem levantar suspeitas.

A delegada Kamilla Basto, responsável pelo caso, explicou que Wenderson e Arielly recorriam a argumentos religiosos para manter as vítimas sob controle. Em alguns episódios, ofereciam dinheiro, transferências via Pix e outras vantagens para impedir que as jovens denunciassem os fatos, valendo-se da influência que detinham na igreja.

A investigação revelou ainda que normas internas da instituição religiosa previam punições para quem demonstrasse “rebeldia” ou “dissidência” em relação à liderança, o que, segundo a Polícia Civil, reforçava o clima de intimidação entre as vítimas e demais fiéis.

No relatório final, a corporação concluiu que não houve consentimento livre das adolescentes. Os abusos ocorreram em contexto de manipulação psicológica, abuso de autoridade religiosa e coerção, afastando qualquer possibilidade de voluntariedade.

Além do casal, uma terceira pessoa, de 20 anos, foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores ao influenciar duas vítimas a destruir um celular com provas dos crimes. Wenderson e Arielly continuam foragidos, respondendo por diversos delitos, como estupro de vulnerável, favorecimento da exploração sexual, importunação sexual, fraude processual e falsidade ideológica.