
Temer afirma fim da parceria com Dilma após episódio de Pasadena e elogio rejeitado (Foto: Instagram)
Durante participação no programa Frente a Frente, exibido no Canal UOL na última segunda-feira (06), o ex-presidente Michel Temer declarou que, desde o processo de impeachment de Dilma Rousseff em 2016, não manteve mais qualquer comunicação com a petista. Ele comentou que o rompimento definitivo entre ambos se cristalizou após um episódio envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, mas afirmou que o distanciamento já vinha se desenhando ao longo daquela crise política. Temer revisitou ainda os principais momentos daquele período.
++ Sistema de IA revela como pessoas comuns estão criando novas fontes de renda online
Na ocasião, Temer elogiou a ex-presidente, afirmando que “a senhora ex-presidente é muito honesta, honestíssima”. Segundo ele, Dilma Rousseff reagiu no dia seguinte com uma nota oficial em que rejeitou categoricamente o elogio, alegando não admitir tal caracterização. A partir desse comunicado, garantiu o ex-presidente, houve o afastamento irreversível entre ambos, marca que consolidou a crise política daquele momento.
++ Madeleine McCann, desaparecida em 2007, aparece mencionada nos arquivos do caso Epstein
Em 2016, o Congresso Nacional aprovou o impeachment de Dilma Rousseff sob acusação de crime de responsabilidade pelas chamadas “pedaladas fiscais”. Com a cassação do mandato, Michel Temer, então vice-presidente, assumiu interinamente o Palácio do Planalto e permaneceu no cargo até o fim do período presidencial, em 2018. O ex-presidente recordou que em seus primeiros pronunciamentos buscou preservar a dignidade da instituição e garantir uma transição equilibrada do poder.
A compra da refinaria de Pasadena, no Texas, ocorreu em 2006, quando Dilma Rousseff presidia o Conselho de Administração da Petrobras. Após embargos de análise, em 2021 o Tribunal de Contas da União determinou que não havia elementos para responsabilizar a ex-presidente pelas supostas falhas na operação, afastando qualquer ônus de Dilma sobre aquele negócio. A negativa de responsabilidade, decidiu o TCU, baseou-se no entendimento de que as irregularidades se referiam a atos de gestores e executivos da estatal, sem conexão direta com as atribuições definidas aos membros do conselho.
Temer também comentou os ataques de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. Para ele, embora o episódio tenha contado com motivações políticas radicalizadas, não houve apoio das Forças Armadas. O ex-presidente classificou os eventos como uma tentativa clara de golpe de Estado, afirmando que o alvo não eram apenas os prédios, mas as instituições democráticas nelas representadas.
Sobre o Supremo Tribunal Federal, Temer defendeu o papel institucional da Corte, ressaltando que as competências previstas na Constituição não podem ser questionadas, apenas o mérito de suas decisões. Ele ainda elogiou o desempenho do ministro Alexandre de Moraes, indicado por ele em 2017 para substituir Teori Zavascki após o acidente aéreo que vitimou o ex-magistrado. Segundo o ex-presidente, Moraes é “comprometido com o sistema brasileiro” e mantém altivez no cargo.
