
Perito desenterra ossada em cova rasa usada por seita criminosa no Ceará (Foto: Instagram)
Durante a perícia em uma residência atribuída a integrantes de uma seita criminosa no Ceará, apelidada de “Casa da Morte”, a Polícia Civil encontrou um altar rodeado de itens ligados ao ocultismo. Entre os objetos, havia um aspecto particularmente inquietante: restos mortais das vítimas eram usados na ornamentação do espaço, elevando a gravidade das descobertas feitas pelos investigadores.
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De acordo com o relatório da Polícia Civil, além do altar e dos fragmentos ósseos, os peritos identificaram covas preparadas para futuras vítimas e diversos instrumentos empregados em rituais macabros. No local, também foram apreendidas armas de fogo e materiais cerimoniais que, segundo as apurações, eram usados para intimidar e controlar as pessoas envolvidas nos encontros criminosos.
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Os investigadores ressaltaram que os suspeitos acreditavam ser possível manter os espíritos das vítimas aprisionados no recinto e forçá-los a atender desejos levantados durante as cerimônias. Entre os objetivos apontados pelos criminosos, estavam a obtenção de números para a Mega-Sena e a promessa de riqueza e poder garantidos pelo domínio dos supostos espíritos.
As apurações revelaram que as vítimas eram atraídas para um sítio em Iguatu sob promessas de festas, dinheiro ou encontros sociais. No momento dos rituais, o rosto dos alvos era coberto por pano escuro e, em seguida, eles eram executados com um tiro na nuca, segundo depoimentos coletados durante as investigações.
Após o desaparecimento do estudante Jheyderson de Oliveira Chavier, a Polícia Civil localizou seu corpo na propriedade e descobriu outros cadáveres enterrados em valas rasas. O caso fez parte de uma operação que resultou em buscas detalhadas pela área e na identificação de múltiplos restos mortais em diferentes pontos do terreno.
O Tribunal do Júri condenou em 2021 os líderes do grupo, Gleudson Dantas Barros e Roberto Alves da Silva, pelos crimes de homicídio qualificado, ocultação de cadáver, corrupção de menores e posse ilegal de arma de fogo. Gleudson foi sentenciado a mais de 21 anos de prisão, enquanto Roberto recebeu pena superior a 18 anos.
Por fim, os peritos confirmaram que covas adicionais já haviam sido escavadas para alimentar novos atos criminosos, mas essas vítimas não chegaram a comparecer ao local. As investigações continuam em busca de provas sobre possíveis envolvidos que teriam colaborado na estruturação dos rituais.
