
Itália anula autorização de extradição de Carla Zambelli (Foto: Instagram)
A Corte de Apelação da Itália anulou a autorização para que Carla Zambelli fosse extraditada ao Brasil no processo relacionado ao caso da arma, decidido no Supremo Tribunal Federal (STF). Com a decisão desta quarta-feira (1º), o pedido brasileiro voltará a ser examinado pela Corte de Apelação de Roma. Ainda não há data marcada para a nova análise; a defesa da ex-deputada federal cassada estima que o julgamento seja retomado em setembro.
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A deliberação italiana não reavalia o mérito da condenação de Zambelli no Brasil nem sua culpabilidade. Na fase de extradição, os juízes da Itália se limitam a verificar se o requerimento atende aos requisitos previstos na legislação nacional e nos tratados bilaterais entre Brasil e Itália. Essa etapa não envolve discussões sobre provas ou validade da punição aplicada pelo STF.
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Com a anulação, o processo de extradição de Zambelli retornará ao ponto de partida na Corte de Apelação de Roma, que conduzirá um novo julgamento para decidir se concede ou nega a entrega da ex-parlamentar ao Brasil. Procuradores italianos terão a palavra final sobre se o pedido oficial preenche todos os requisitos formais e legais. A expectativa da defesa é de que o caso seja incluído na pauta em setembro, mas não há confirmação oficial da corte.
O pedido de extradição faz referência à sentença de 5 anos e 3 meses de prisão imposta a Zambelli pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O incidente ocorreu na véspera do segundo turno das eleições de 2022, quando ela perseguiu um homem pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão política, portando um revólver sem autorização legal.
Meses antes, em maio, a Corte Suprema de Cassação da Itália já havia rejeitado outro pedido de extradição contra Carla Zambelli, dessa vez relacionado à condenação de 10 anos de reclusão pelo ataque hacker aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Naquela ocasião, os magistrados italianos apontaram “diversos elementos” que colocariam em dúvida a imparcialidade objetiva do STF, citando o ministro Alexandre de Moraes por acumular funções de julgador e parte supostamente ofendida.
Após ser condenada pelo STF no caso do ataque hacker, Zambelli deixou o país ainda em 2025. Em dezembro, o Supremo determinou sua cassação parlamentar, revertendo decisão anterior da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. A ex-deputada foi detida pelas autoridades italianas em 29 de julho de 2025, mas acabou solta no último dia 22 de maio, quando a Cassação da Itália revogou a autorização de extradição concedida pela Corte de Apelações.
