Vaza correspondência de Marco Rubio a Flávio Bolsonaro; veja a íntegra

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Marco Rubio e Flávio Bolsonaro em Washington (Foto: Instagram)

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou uma carta em resposta ao ofício do presidenciável Flávio Bolsonaro, reafirmando que o governo de Donald Trump continua a defender a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros. No documento, Rubio agradeceu o apoio de Flávio à classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, mas deixou claro que as divergências comerciais entre os dois países seguem sem resolução. Ele avisou que as discussões serão conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) em audiência pública agendada para julho.

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A correspondência, datada de 23 de junho, foi enviada em resposta ao pedido de Flávio no início de junho, quando ele solicitou que Washington reavaliasse a possível ampliação de sanções comerciais contra o Brasil. Além de manifestar gratidão pelo apoio às medidas de segurança, Rubio elogiou a proposta de Flávio de criar uma equipe de transição bilateral entre os futuros governos caso ele vença as eleições deste ano. Essa oferta, segundo o secretário, demonstra o interesse brasileiro em manter um canal de diálogo aberto com os EUA.

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Mesmo após reconhecer a cooperação no combate às facções criminosas, Rubio insistiu que as investigações do USTR identificaram pontos pendentes entre Brasil e EUA. Entre as questões destacadas estão políticas de comércio digital, funcionamento do sistema de pagamentos Pix, aplicação de tarifas consideradas preferenciais, esforço anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e combate ao desmatamento ilegal. O secretário lembrou que esses temas decorrem de uma apuração iniciada em julho de 2025 por ordem direta do presidente Trump.

Rubio reforçou que as investigações comerciais são de responsabilidade do embaixador Jamieson Greer, à frente do USTR, e não do Departamento de Estado. Ele informou que qualquer interessado poderá participar da audiência pública em 6 de julho e submeter comentários até 1º de julho. Os pedidos para participar presencialmente na sessão devem ser protocolados até 22 de junho, conforme as regras de consulta pública anunciadas pelo representante de comércio norte-americano.

Flávio Bolsonaro já sinalizou a intenção de viajar aos Estados Unidos para acompanhar de perto a audiência e apresentar seus argumentos contra a adoção de novas barreiras comerciais. O presidenciável afirmou que a presença física no evento é fundamental para demonstrar as preocupações brasileiras e reforçar a ponte de diálogo entre os dois governos, caso ele assuma o Palácio do Planalto em janeiro de 2027.

As propostas do USTR preveem duas linhas de ação: uma possível tarifa de 25% sobre produtos nacionais, motivada por supostas deficiências em comércio digital, Pix, anticorrupção e propriedade intelectual; e outra de 12,5% sobre itens brasileiros e de outros países, embasada na acusação de exportação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O governo brasileiro classificou tais iniciativas como injustificáveis e interpretou-as como uma tentativa de pressionar economicamente e diplomaticamente o país.