
PL Mulher sob tensão após vídeo de Michelle Bolsonaro (Foto: Instagram)
Uma ala do Partido Liberal (PL) intensificou a pressão para que Michelle Bolsonaro deixe a presidência do PL Mulher após o vídeo em que ela disse ter sido “humilhada” pelo senador Flávio Bolsonaro. Para dirigentes, a manifestação agravou a crise interna, desviou a atenção do caso envolvendo Jaques Wagner e coloca em xeque sua eventual candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, busca minimizar o desgaste e conter a disputa.
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O episódio ganhou força na noite de quarta-feira (24) com a divulgação do vídeo em que a ex-primeira-dama afirma ter sido “maltratada” por Flávio Bolsonaro. Membros do partido veem o teor das declarações como um golpe à estratégia eleitoral do PL, pois desviou o foco das críticas ao PT, sobretudo do anúncio da saída de Jaques Wagner (PT-BA) da liderança do governo no Senado. Na visão de um dirigente, resolveu-se uma crise interna em vez de explorar o escândalo do Master.
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Entre os que pedem mudança, há quem critique a ex-primeira-dama por, segundo eles, ter abandonado sua função de unificação e exacerbar tensões no PL Mulher. “O papel dela seria o de agregar, mas está fazendo o oposto. Não vejo condições de seguir no comando”, disse um dirigente à imprensa. Por esse motivo, lideranças reavaliam a viabilidade de sua candidatura ao Senado, embora não haja anúncio oficial sobre alteração no comando do segmento feminino.
No âmbito nacional, Valdemar Costa Neto intensificou esforços para estancar o desgaste. Em declarações públicas, o dirigente afirmou que resolveria a crise e evitou aprofundar o desentendimento entre Michelle e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nos bastidores, porém, reconhece-se que o episódio sinaliza um dos momentos mais tensos na relação entre a ex-primeira-dama e a cúpula do PL desde o começo das articulações para as eleições de 2026.
A tensão também se estendeu à escolha das candidaturas ao Senado no Ceará. Michelle apoiava a vereadora Priscila Costa para integrar a chapa, mas a direção do PL selou um acordo que reserva uma vaga aos tucanos aliados a Ciro Gomes e outra ao deputado estadual Alcides Fernandes, pai do federal André Fernandes. A ex-primeira-dama foi lembrada de que já havia influído em composições em Santa Catarina e no Distrito Federal, com Carol de Toni e Bia Kicis.
Apesar de toda a pressão, dirigentes admitem que Michelle Bolsonaro mantém peso político dentro do PL. Antes da divulgação dos vídeos, a cúpula acreditava que ela acabaria cedendo às diretrizes nacionais. O desenrolar do conflito, porém, demonstrou que a ex-primeira-dama exerce um poder de influência substancial na condução do PL Mulher e segue sendo um ator relevante nas definições da estratégia eleitoral do partido.








