
MC Negão Original é detido pelo DOPE em São Paulo (Foto: Instagram)
MC Negão Original, cujo nome real é João Vitor Marcelino Guido, foi detido na quinta-feira (25/06/2026) pelo DOPE (Departamento de Operações Policiais Estratégicas) em São Paulo. O funkeiro estava foragido após ter a prisão decretada por envolvimento em um suposto esquema de estelionato virtual que teria movimentado cerca de R$ 100 milhões ao longo dos últimos cinco anos. Enquanto permanecia em local incerto, o artista emplacou “Cuida do Pet” no top 20 do Spotify, alcançando a 13ª posição em apenas duas semanas.
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A prisão faz parte de uma operação deflagrada pela Polícia Civil paulista, que investiga uma organização criminosa especializada em golpes via aplicativos e mensagens. Segundo as autoridades, o grupo se valia de mensagens que se passavam por funcionários do INSS para induzir vítimas a provar “prova de vida” e instalar programas que permitiam acesso remoto aos dispositivos. A investigação apontou que, além do músico, outros integrantes seguem sendo procurados em diferentes regiões do país.
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O hit “Cuida do Pet” foi gravado antes de Guido se tornar foragido. A faixa, assinada em parceria com Aaron Modesto, Willian, Iguinho CT e DU’L, viralizou nas redes em março e abril, justamente pelo trecho solo do funkeiro. A repercussão foi tamanha que gerou a versão paralela “Por Isso Ela Mente”, cuja prévia soma mais de 2 milhões de visualizações entre YouTube e TikTok, consolidando o nome de MC Negão Original mesmo em situação judicial adversa.
Com o aumento de público, o próprio artista sugeriu a saída oficial da música, gravando sua parte isoladamente enquanto os demais colaboradores produziam de forma independente. O videoclipe lançado em sequência atingiu cerca de 1 milhão de views na primeira semana, e uma versão com recursos de inteligência artificial, divulgada no fim de maio, ultrapassou 2 milhões de acessos no YouTube.
De acordo com as investigações, o suposto esquema criminoso teria causado prejuízos a vítimas de vários estados brasileiros. As fraudes envolviam não só a instalação de aplicativos de controle remoto, mas também a captura de senhas bancárias e dados pessoais, configurando crime previsto no artigo 171 do Código Penal. A Polícia Civil informa que as diligências para localizar e prender os demais envolvidos continuam em curso.
Especialistas em Direito Criminal ressaltam que não há impedimento legal para que um investigado foragido produza e divulgue obras artísticas, desde que não auxilie na própria ocultação. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o dever de localização é do Estado, e a liberdade de expressão cultural não caracteriza novo ilícito. No cenário do funk, artistas como MC Kelvinho e MC Kapela também abordam, em suas letras, as gírias e narrativas dos “Rauls”, termo popular no submundo dos golpes virtuais.
