
Cautela eleitoral: neutralidade de adversário do PT após operação da PF (Foto: Instagram)
ACM Neto, principal adversário do PT na Bahia, decidiu não explorar a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner, candidato ao Senado na chapa do governador Jerônimo Rodrigues. Apesar de o episódio atingir em cheio a campanha do rival, o ex-prefeito de Salvador preferiu adotar postura comedida, deixando a discussão para o Judiciário.
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Nos bastidores, assessores de Neto e petistas teriam selado um acordo informal para manter o Caso Master fora do debate eleitoral estadual, evitando que as investigações ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro se transformem em munição política. A estratégia busca impedir que eventuais desdobramentos judiciais influenciem o clima de disputa, que já é considerado acirrado por ambos os lados.
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A PF apura se Wagner privilegiou os interesses do Banco Master e do empresário Augusto Lima no Congresso Nacional em troca de supostos benefícios. Entre os pontos investigados estão a “emenda Master”, que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e pagamentos por meio de vantagens como uso de aeronaves, ingressos para shows internacionais e um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,4 milhões. O senador nega ter recebido qualquer vantagem indevida.
Apesar da repercussão, ACM Neto não comentou o caso em suas redes sociais e afirmou que cabe ao Judiciário conduzir as apurações e punir eventuais responsáveis. A cautela é reforçada pelo fato de que documentos entregues por Daniel Vorcaro à Receita Federal mencionam pagamentos de R$ 5,4 milhões à empresa de consultoria do ex-prefeito entre 2023 e 2025. Neto defende que todos os serviços prestados foram legais e sem ligação com agentes públicos.
Em contraste, o ex-ministro da Cidadania e presidente estadual do PL na Bahia, João Roma, aproveitou a operação para cobrar investigações independentes e classificou as suspeitas contra Wagner como graves. Nas redes sociais, ele criticou o líder do governo no Senado e exigiu transparência nas apurações, reforçando o tom de confronto dentro da coligação de ACM Neto.
A disputa estadual se desenha como um rematch entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, que concorreram ao segundo turno em 2022, quando o petista venceu com 52,8% dos votos. Pesquisas recentes apontam cenário equilibrado entre os dois grupos, tanto para o Palácio de Ondina quanto para as duas vagas ao Senado, onde nomes como Jaques Wagner, Rui Costa, João Roma e Angelo Coronel estão na corrida.
Segundo a Polícia Federal, Wagner mantinha relação próxima com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e teria firmado negócios ainda na gestão de Rui Costa, como na privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), controladora da rede Cesta do Povo. O relatório cita também uma emenda de 2022 que poderia beneficiar o Banco Master. O senador reitera não ter favorecido a instituição nem recebido valores relacionados ao banco.
