
Homem em uniforme falso da PM utilizado em golpes virtuais (Foto: Instagram)
Uma mulher denunciou à Polícia Civil de Goiás um homem que fingia ser policial militar e usava imagens geradas por inteligência artificial para enganar vítimas. Ela afirma ter mantido um relacionamento que durou cerca de um ano e meio e, durante esse período, acabou transferindo mais de R$ 50 mil ao suspeito, que se aproveitou de sua confiança para obter ganhos financeiros.
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No ponto mais delicado do seu luto, a mulher relata que o falso policial explorou a dor pela morte do filho para convencê-la de sua “missão” religiosa e moral. Segundo ela, o suspeito usava discursos carregados de religiosidade, chegou a afirmar que a tragédia era “punição divina” e repetia que prestava serviços comunitários, o que reforçou seu sentimento de culpa e a tornou mais vulnerável aos pedidos de ajuda financeira.
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Para compor a farsa, o investigado construía a imagem de um policial exemplar e de um marido dedicado. Além das fotos com farda pública, ele apresentava supostos contracheques, exibindo-os como comprovante de renda. Também fazia vídeos afirmando cuidar do pai acamado, o que aumentava sua credibilidade. A vítima só descobriu que tudo não passava de manipulação em outubro de 2025, quando a irmã do suspeito a alertou sobre a farsa.
Os pedidos de dinheiro começaram poucos meses após o início do namoro. Ela conta ter feito diversos Pix, com valores que variavam entre R$ 5 mil, R$ 8 mil e R$ 9 mil, e aberto um cartão adicional em seu nome. Além disso, comprou um iPhone para ele, pagou viagens, hospedagens, combustível e despesas do dia a dia, sem jamais receber qualquer reembolso ou justificativa plausível.
Outra amiga da vítima, de 73 anos, também foi enganada pelo mesmo homem, que lhe pedia empréstimos para supostos tratamentos de saúde do pai. A idosa realizou transferências e comprou passagens de viagem, totalizando prejuízo estimado em mais de R$ 10 mil. A vítima principal ainda relatou que o suspeito utilizava seu carro e o deixava acumulando multas, que chegaram a quase R$ 4 mil.
Mesmo após descobrir a mentira, ela manteve contato com o falso policial por mais dois meses na tentativa de reaver parte do dinheiro. Hoje, com medidas protetivas em vigor, ela teme represálias, pois o investigado conhece a rotina de seu condomínio e guarda dados pessoais. A vítima espera que o caso sirva de alerta para outras pessoas.
O homem de 30 anos foi preso em 17 de junho de 2026. Durante o depoimento, confessou ter criado as imagens com IA, mas afirmou que o objetivo seria ajudar uma ex-companheira a recuperar um veículo — versão contestada pela vítima. O caso segue em investigação pela Polícia Civil.








