
Testemunha aponta CNPJ falsificado e amadorismo em equipe de rope jump investigada após morte (Foto: Instagram)
Uma testemunha ouvida pela Polícia Civil detalhou supostas fraudes cometidas pela equipe responsável pelos saltos de rope jump em Limeira após a morte de Maria Eduarda. Segundo o depoimento, o grupo se apresentava como uma “equipe-empresa”, mas não possuía constituição formal. A testemunha afirmou que foi exibido um CNPJ que, na prática, não correspondia a qualquer empresa real e teria sido falsificado com o objetivo de obter permissão para realizar as atividades em lugares específicos. “Falaram que era uma equipe-empresa, só que não era uma empresa. Tanto é que eles falsificaram o CNPJ pra passar pra gente…”, declarou o colaborador.
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O depoimento ainda revela que, além de falsificado, o número de registro nem consta em bancos de dados oficiais, o que gerou dúvidas sobre a regularidade operacional do grupo. A testemunha também relatou promessas de contar com bombeiro civil e uma estrutura de segurança que, na prática, nunca foram verificadas. Sem respaldo formal, não havia comprovação de treinamento ou equipamentos adequados para eventos de alto risco, o que reforçou a desconfiança sobre a autenticidade das informações apresentadas pelos organizadores.
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Em nota, a delegada responsável pelo caso informou que a investigação identificou indícios de ausência de autorização legal e falta de estrutura suficiente para garantir a segurança dos saltos em Limeira, no interior de São Paulo. Os eventos teriam sido realizados sem vistoria adequada e sem o alvará específico exigido para atividades de alto risco. Além disso, há evidências de amadorismo na condução dos trabalhos, o que pode ter contribuído para as condições que resultaram na tragédia com Maria Eduarda. A apuração investiga se essas falhas graves influenciaram diretamente no acidente fatal.
A testemunha afirmou ainda que a equipe foi montada em prazo considerado incompatível com a complexidade do serviço. Enquanto estruturas bem preparadas demandam planejamento, ensaios e testes extensivos, esse grupo teria se formado em apenas seis meses, tempo insuficiente para aperfeiçoar protocolos e garantir equipamentos de qualidade. “Em seis meses, a gente não consegue fazer o que nós levamos dez anos pra fazer”, observou, destacando o contraste entre a necessidade de maturação operacional e a pressa em executar os saltos.
Cerca de três pessoas seguem no foco das investigações, com a Polícia Civil analisando relatórios, depoimentos e documentos apresentados pelo grupo. Os agentes buscam determinar quem exerceu funções de coordenação, quem forneceu o CNPJ irregular e quem foi responsável pela montagem da estrutura de rope jump. A expectativa é identificar se o uso de registros falsos foi deliberado para mascarar deficiências na organização.
O desfecho do inquérito dependerá dos resultados das perícias técnicas e do cruzamento de informações obtidas com novos depoimentos. As autoridades estimam concluir a apuração em breve, de modo a encaminhar o caso ao Ministério Público com indícios claros de possíveis crimes, como falsidade ideológica e homicídio culposo. Assim, será possível atribuir responsabilidades e adotar medidas para prevenir incidentes semelhantes.








