Caso Gisele: Justiça mantém prisão preventiva de coronel acusado de matar esposa PM

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Coronel Geraldo Leite Rosa Neto em depoimento após decisão que manteve sua prisão preventiva. (Foto: Instagram)

A Justiça de São Paulo decidiu, em reavaliação periódica da medida cautelar, manter a prisão preventiva do coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto (53). Ele é réu pelos crimes de feminicídio e fraude processual na morte da soldado Gisele Alves Santana (32), ocorrida em fevereiro.
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O oficial está detido desde 18 de março deste ano, quando ainda exercia o posto de tenente-coronel. Após sua aposentadoria, a corporação o promovEu à patente de coronel. A juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro entendeu que não houve mudança relevante que justifique a soltura do acusado.
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Segundo a magistrada, persistem os motivos que fundamentaram a prisão, especialmente pelo fato de o processo ter avançado para a fase de instrução. Nesse período, serão produzidas provas e ouvidos testemunhas, inclusive o próprio coronel, que deporá entre 29 de junho e 3 de julho. A revisão da custódia ocorre a cada 90 dias, conforme o Código de Processo Penal.

Gisele foi atingida por um disparo na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento do casal no Brás, região central de São Paulo. Socorrida em estado grave, ela não resistiu aos ferimentos no Hospital das Clínicas. Em depoimento, Geraldo afirmou que, na manhã da tragédia, comunicou à esposa o desejo de encerrar o relacionamento. Segundo ele, ela reagiu de forma exaltada, trancou-se no quarto e, ao sair do banho, ele a encontrou caída no chão.

Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita após a mãe da vítima relatar controle excessivo e comportamentos abusivos por parte do marido, que teria vetado o uso de batom, salto alto e perfume e monitorado rigidamente a rotina de Gisele. Em março, a exumação do corpo apontou lesões no rosto e no pescoço compatíveis com pressão digital, levando o processo para a Vara do Tribunal do Júri.

Durante as apurações, mensagens do celular do coronel revelaram humilhações, ameaças e episódios de violência no relacionamento. Uma denúncia anônima no Inquérito Policial Militar também descreveu perseguições e intimidações e motivou a Corregedoria da PM a instaurar procedimento interno dias após o crime.

Em abril, o Superior Tribunal de Justiça determinou que o julgamento ocorra na Justiça comum, sob responsabilidade da 5ª Vara do Júri de São Paulo. Desde o início, Geraldo Leite Rosa Neto nega as acusações, afirmando que não matou a esposa e que tem a consciência tranquila. Com a manutenção da prisão preventiva e o calendário de depoimentos, a etapa de instrução passa a ser decisiva para elucidar as circunstâncias da morte de Gisele Alves Santana.