Prefeitura de São Caetano do Sul altera tarifa zero após superlotação no transporte

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Ônibus municipal de São Caetano do Sul com a identidade visual do programa Tarifa Zero. (Foto: Instagram)

A Prefeitura de São Caetano do Sul decidiu substituir o sistema de tarifa zero universal por um modelo de gratuidade restrito a moradores e grupos específicos. De acordo com o prefeito Tite Campanella (Republicanos), a demanda pelo transporte público na cidade cresceu cerca de 300% após a implantação da tarifa zero, gerando superlotação e pressão operacional que comprometeram a qualidade do serviço.

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O projeto enviado à Câmara Municipal mantém a isenção da tarifa para residentes de São Caetano do Sul, estudantes, idosos entre 60 e 65 anos, servidores públicos e pessoas em situação de vulnerabilidade social. Para os demais usuários, a proposta fixa o valor de R$ 5 por viagem. A justificativa da Prefeitura é que o avanço expressivo nos passageiros tornou insustentável o modelo atual.

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Em entrevista ao Bacci Notícias, Campanella afirmou que o volume de passageiros diários saltou de cerca de 20 mil para aproximadamente 80 mil, superando em muito as projeções iniciais de até 50% de crescimento. Ele ressaltou que os estudos elaborados antes da implementação apontavam para um aumento moderado, mas o salto efetivo gerou desafios logísticos. Dados oficiais indicam que a quantidade mensal de usuários passou de 514 mil para 1,74 milhão.

A Prefeitura relata ter recebido diversas manifestações sobre lotação excessiva em várias linhas e horários, além de queixas relacionadas à falta de assentos e condições precárias nas viagens. Segundo Campanella, o crescimento acelerado da demanda pressionou a frota, elevou custos de operação e prejudicou o bom funcionamento do sistema, o que motivou a revisão do programa de gratuidade.

Para Alex Carreiro, gestor público e especialista em mobilidade urbana, São Caetano do Sul se tornou um importante laboratório para debater políticas de transporte gratuito no Brasil. Ex-secretário executivo da Semob-DF, ele avalia que o caso não representa o fracasso da tarifa zero, mas evidencia a necessidade de planejamento operacional, fontes permanentes de custeio e indicadores de qualidade para sustentar programas de gratuidade.

Carreiro alerta que os efeitos esperados sobre o trânsito e o comércio local tendem a surgir apenas a médio e longo prazo. Ele destaca que é preciso acompanhar indicadores como fluxo de veículos, velocidade média, tempo de deslocamento e movimento em áreas comerciais ao longo de 12 a 24 meses para avaliar o real impacto das mudanças.

O prefeito também propôs receitas complementares, como publicidade em terminais, créditos de carbono e aportes do Fundo Municipal de Transporte, para fortalecer o financiamento do sistema. Campanella afirma que o objetivo é restabelecer o equilíbrio financeiro sem comprometer o serviço. Segundo o especialista, embora essas fontes ajudem, a sustentação plena exige a combinação entre tarifa, subsídios públicos e outras receitas estruturais.