
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, em frente a viaturas da Polícia Federal (Foto: Instagram)
Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que Joana Machado, irmã de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, relatou ter recebido ameaças de morte após o falecimento do irmão, ocorrido em 4 de março deste ano. De acordo com os diálogos apreendidos, tanto ela quanto a mãe passaram a viver sob forte clima de medo depois da morte de Mourão.
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Em conversas trocadas em um grupo de WhatsApp, Joana disse que, além da dor pela perda, recebeu vídeos de pessoas armadas com fuzis direcionados a ela e à mãe, e ainda enfrentou dificuldades financeiras. “Ameaças de cadeia. Golpes. Vídeos com fuzil que iam matar a mim e à minha mãe. Contas atrasadas. Medo”, escreveu ela em 26 de abril. Participavam dessas trocas Keysom Silveira, primo de Joana, e Manoel Mendes Rodrigues, o “Manolo”, apontado como operador do jogo do bicho e aliado do clã Vorcaro.
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Nos diálogos, Joana também atacou a família Vorcaro, afirmando que o irmão foi fiel ao grupo por anos e lamentando a ausência de manifestações de solidariedade após sua morte. “Os malditos Vorcaro, a quem ele foi leal a vida inteira, estão vivendo como reis ainda. Não tiveram a dignidade de mandar uma única mensagem, uma flor que fosse no velório dele”, desabafou. Em outro trecho, ela confessou que o ressentimento cresceu a ponto de desejar vingança: “Agora eu não me importo mais tanto com esse dinheiro porque o HV nunca vai pagar. Quero vingança”.
Luiz Phillipi Mourão foi detido na terceira fase da Operação Compliance Zero e, segundo a Polícia Federal, atuava como intermediário de atividades ilícitas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. A PF aponta que ele recebia cerca de R$ 1 milhão mensais para obter informações sigilosas, intimidar adversários e ocultar conteúdos prejudiciais ao grupo. Antes de sua morte, registrada em 4 de março na Superintendência da PF em Minas Gerais, Mourão acumulava registros por estelionato, furto de veículos, crimes cibernéticos e associação criminosa.
As mensagens vieram à tona depois que o ministro do STF André Mendonça autorizou a liberação de processos referentes ao caso Banco Master. Em um dos diálogos, Manolo sugere uma reunião presencial em Belo Horizonte para tratar das ameaças e oferecer ajuda à família. A investigação apura se houve tentativa de acordo para impedir que Joana e a mãe colaborassem com as autoridades, mas até o momento não há provas conclusivas de um pacto de silêncio.
Além das ameaças, Joana teria indicado a possibilidade de divulgar conteúdo armazenado no iCloud dos dispositivos do irmão, o que gerou preocupação entre os envolvidos. A perspectiva de vazamento dessas informações elevou o temor de que membros do grupo optem pela delação premiada, potencialmente revelando detalhes comprometedores das operações investigadas.








