
Balão solto próximo à rota de pouso expõe aeronave a riscos críticos durante a aproximação (Foto: Instagram)
Especialistas em aviação lançam alerta sobre a soltura de balões e os riscos que eles oferecem para aeronaves durante as fases de aproximação, pouso e decolagem. Dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) indicam que, ao longo de 2024, foram registradas mais de 2 mil ocorrências envolvendo interferência de balões em operações aéreas no país, com maior concentração em São Paulo e no Rio de Janeiro.
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Em meio às festividades juninas, costuma-se ver a prática como uma tradição cultural, mas autoridades aeroportuárias e a indústria do setor enxergam um perigo real. O Ministério de Portos e Aeroportos, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e outros órgãos vinculados reforçaram este ano campanhas de conscientização para alertar a população sobre as possíveis consequências de soltar balões em proximidade a aeroportos.
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O coordenador do curso de Aviação Civil da Universidade Anhembi Morumbi, Alexandre Faro, ressalta que a dimensão dos balões lançados atualmente aumentou significativamente. Segundo ele, estruturas imensas elevam o risco durante o voo em baixa altitude, tornando mais provável o encontro entre essas lanternas improvisadas e as aeronaves nas fases mais críticas do trajeto.
Além do envelope de papel, Faro destaca que a base dos balões costuma ter armações metálicas que sustentam a chama. Se essas partes atingirem o para-brisa ou forem aspiradas por um motor, podem causar desde estilhaçamento do vidro até danos internos graves à turbina. O especialista em Aviação Elétrica, Inovação Aeronáutica e Segurança Operacional, José Carlos Más, lembra que aproximações, decolagens e pousos são momentos de margem mínima para manobras evasivas.
Turborreatores, superfícies de controle e para-brisas estão entre as áreas mais vulneráveis. No caso de ingestão de fios metálicos ou arames, pode ocorrer comprometimento do funcionamento do motor. Já um impacto direto contra o vidro frontal prejudica a visibilidade da cabine e pode resultar em fissuras. Nas asas, qualquer avaria afeta a armazenagem de combustível e os flaps, fundamentais para a estabilidade do voo.
Apesar de parecer simples desviar o avião, o piloto deve seguir rigorosos procedimentos e solicitar autorização ao controle de tráfego aéreo antes de qualquer manobra fora da rota padrão. José Carlos Más acrescenta que muitos balões só são percebidos quando já se encontram muito próximos, reduzindo drasticamente o tempo disponível para reação. Condições noturnas ou meteorologia adversa, como neblina, agravam ainda mais o quadro.
Quando um balão invade o espaço próximo a um aeroporto, arremetidas, mudanças de rota ou alteração de nível podem ser necessárias, acarretando atrasos, aumento no consumo de combustível e reprogramação de voos. No Aeroporto de Viracopos, em Campinas, registraram-se 116 avistamentos e 18 quedas de balões em 2025, e 47 contatos com um incidente nos primeiros quatro meses de 2026. Em Guarulhos, foram 58 eventos entre 2024 e o primeiro semestre de 2025, incluindo uma colisão. No Santos Dumont, houve 103 avistamentos de janeiro a junho de 2025.
Dados do Ministério de Portos e Aeroportos mostram picos de ocorrências em junho/julho e outro entre novembro e dezembro. A prática é proibida pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) e pode ser enquadrada no artigo 261 do Código Penal, relativo ao atentado contra o transporte aéreo. Para os especialistas, prevenir esses acidentes exige conscientização, pois qualquer balão lançado sem controle no espaço aéreo usado por aviões representa perigo permanente.








