Operação Vérnix revela lavagem de R$ 20 milhões que liga Deolane Bezerra a Marcola

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Imagem de um detento em corredor de penitenciária durante audiência (Foto: Instagram)

A Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo, expôs um suposto esquema de lavagem de dinheiro que ultrapassa R$ 20 milhões e relaciona a influenciadora e advogada Deolane Bezerra a parentes de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Segundo as investigações, valores milionários teriam sido movimentados em benefício do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio de conexões entre a digital influencer e a família do líder da facção.

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O desdobramento do caso reacendeu a discussão sobre o chamado “home office do crime”: a hipótese de que, mesmo recolhido em regime disciplinar diferenciado desde fevereiro de 2019, Marcola ainda manteria autoridade e controle do PCC. O portal Bacci Notícias ouviu o jurista William Pimentel para analisar os limites do isolamento prisional e conferiu a nota oficial da defesa, que nega qualquer comunicação entre o detento e o suposto esquema.

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Para compreender o poder de Marcola, é preciso resgatar sua trajetória. Nascido em São Paulo em 1968, órfão aos nove anos, iniciou na criminalidade com pequenos furtos e inhalava cola industrial, o que lhe rendeu o apelido. Preso pela primeira vez em 1986 por assalto a banco, sobreviveu ao massacre do Carandiru em 1992 e foi transferido a Taubaté, onde conheceu os fundadores do PCC. No fim da década de 1990, já ostentava carros de luxo e ganhou o apelido de “Playboy” do crime. Em julho de 1999, após o maior roubo a banco da história paulista, que rendeu mais de R$ 32 milhões à facção, foi capturado e está encarcerado desde então, com pena total de 232 anos e 11 meses.

No entendimento de William Pimentel, o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) é ferramenta essencial, mas insuficiente ante organizações criminosas maduras. Para ele, o isolamento físico não impede completamente a atuação de líderes quando há vulnerabilidades institucionais, canais de comunicação indireta, códigos internos e redes econômicas externas intactas. “Mesmo sob isolamento total, as facções podem persistir por meio de estrutura informal, lealdade e autonomia das células externas”, afirmou o criminalista.

O jurista também destacou que o PCC se assemelha hoje a uma empresa descentralizada, cujo funcionamento depende de capital simbólico mais do que da presença física de Marcola. A facção opera por estatutos não escritos, disciplina interna e logística própria. “O desafio do Estado é atacar a contabilidade, a lavagem de capitais, a logística e os bens, não apenas manter o preso isolado”, concluiu Pimentel.

Em resposta, a defesa de Marcola, liderada pelo advogado Bruno Ferullo, afirmou que as severas restrições de contato e comunicação impostas desde 2019 inviabilizam qualquer participação do detento nas atividades apontadas. Além disso, ressaltou que o vínculo familiar dos demais denunciados não comprova envolvimento criminal. “A simples proximidade afetiva não pode fundamentar acusações graves”, concluem os defensores, adiantando que todos os documentos financeiros serão justificados durante o processo.