
Técnicos de enfermagem acusados de homicídio prestam depoimento em Brasília (Foto: Instagram)
Na segunda-feira (08), a audiência de instrução dos três técnicos de enfermagem acusados de homicídio de pacientes na UTI do Hospital Anchieta, no Distrito Federal, foi retomada com os depoimentos dos réus. Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Souza e Marcela Camilly Alves da Silva compareceram para apresentar versões distintas sobre suas responsabilidades, o treinamento recebido e a participação nos episódios sob investigação.
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Marcos Vinícius foi o primeiro a prestar esclarecimentos e admitiu que se limitou a responder apenas às perguntas feitas por sua defesa. Ele relatou ter treinado Marcela por alguns dias devido à carência de profissionais mais experientes na unidade, mas reconheceu que o preparo ficou aquém do ideal. Sobre as vítimas, descreveu Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, como paciente sem indicação clínica para UTI, João Clemente Pereira, de 63, já debilitado e com histórico de paradas, e Marcos Moreira, de 33, como em estado gravíssimo, relatando parada durante tomografia. Marcos negou envolvimento direto nos óbitos e criticou a rotina de exames do hospital.
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Em seguida, Marcela Camilly Alves da Silva entrou em cena, chorou e declarou inocência. Ela afirmou nunca ter atuado em UTI antes de ser contratada pelo Hospital Anchieta e disse ter absorvido todo conhecimento prático na própria unidade. Marcela ressaltou que confiou integralmente nas orientações de Marcos durante o período de adaptação. Abalada, afirmou não compreender o que ocorreu com os pacientes e admitiu que a presença dela pode ter sido usada para mascarar ações sem levantar suspeitas.
A terceira a depor, Amanda Rodrigues de Souza, revelou ter aguardado o depoimento de Marcos com a expectativa de que ele assumisse a responsabilidade pelos fatos. “Eu esperava que ele tivesse a hombridade de falar a verdade”, declarou. Amanda contou que só tomou ciência das acusações ao chegar à delegacia e garantiu que as imagens de câmeras demonstram apenas sua participação em procedimentos de ressuscitação ou momentos em que estava de costas. Ela também relatou sofrer ameaças dentro do presídio e destacou o impacto profundo na família.
Os depoimentos integram a fase de instrução, quando a Justiça coleta provas, ouve testemunhas e peritos antes de decidir os próximos passos. Encerrada essa etapa, o juiz pode determinar diligências adicionais, abrir prazo para alegações finais e, posteriormente, proferir sentença. Ainda não há definição sobre a culpa ou inocência dos acusados, que seguem com a situação processual em aberto.
O caso teve início após a morte de três pacientes na UTI do Hospital Anchieta, levantando suspeitas sobre substâncias que teriam provocado paradas cardiorrespiratórias. A investigação do Ministério Público aponta participação dos técnicos Marcos Vinícius, Amanda e Marcela nos óbitos de João Clemente Pereira, 63 anos; Marcos Moreira, 33; e Miranilde Pereira da Silva, 75. Até o momento, todos negam envolvimento direto nas mortes e atribuem responsabilidades entre si, enquanto a Justiça analisa as provas reunidas.
