
Keiko Fujimori deposita voto enquanto Roberto Sánchez fala com a imprensa em eleição presidencial apertada no Peru (Foto: Instagram)
A disputa presidencial no Peru permanece extremamente acirrada nesta terça-feira, 9 de junho de 2026. Com mais de 95% das urnas apuradas, a diferença de votos entre os dois candidatos oscila em margem reduzida, deixando o segundo turno indefinido e mantendo o país em expectativa diante de uma das eleições mais equilibradas das últimas décadas.
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Segundo o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), Roberto Sánchez soma 50,107% dos votos válidos, enquanto Keiko Fujimori registra 49,893%. A virada ocorreu na tarde de segunda-feira, quando Sánchez ultrapassou a adversária após a contabilização dos boletins oriundos de regiões em que possui maior apoio, invertendo a liderança que até então se mantinha com a candidata de direita.
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No primeiro turno, Roberto Sánchez, representante da esquerda peruana, atingiu cerca de 12% dos votos válidos, garantindo a vaga no segundo turno por uma diferença estreita em relação ao terceiro colocado. Aliado à perspectiva de reformas estruturais, ele defende a convocação de uma nova Assembleia Constituinte para substituir a atual Constituição do país. Sánchez integrou o governo de Pedro Castillo, destituído e preso em 2022 sob acusações de tentativa de dissolver o Congresso e interromper o processo institucional.
Já Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, liderou a primeira etapa da disputa com aproximadamente 17,2% dos votos válidos. Figura histórica da direita peruana, ela chegou a ser apontada como favorita em pesquisas de boca de urna, mas viu sua vantagem diminuir à medida que foram computados os votos das áreas rurais, tradicionalmente mais lentas na apuração e com tendência a apoiar candidaturas de esquerda.
Analistas eleitorais destacam que as zonas rurais, geralmente apuradas por último devido aos desafios logísticos, desempenham papel decisivo no resultado final. Historicamente, essas regiões demonstram preferência por propostas voltadas ao desenvolvimento do interior e por candidatos de esquerda. Foi justamente com esses votos tardios que Sánchez assumiu a liderança da disputa, invertendo o placar que favorecia Fujimori durante a primeira fase da contagem.
O cenário eleitoral se desenrola em meio a um prolongado período de instabilidade política no Peru: nos últimos dez anos, o país registrou nove presidentes, apesar dos mandatos presidenciais previstos em cinco anos. Entre crises, processos de impeachment e renúncias, o Executivo conviveu com permanentes choques institucionais. O desfecho desta eleição é considerado crucial para definir a direção política e econômica do país nos próximos anos.
