
Vacina contra dengue do Butantan tem aplicação temporariamente suspensa (Foto: Instagram)
O Ministério da Saúde anunciou na segunda-feira (08) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue, desenvolvida pelo Instituto Butantan, após o registro de episódios adversos inesperados. A medida afetou milhares de brasileiros que já haviam sido imunizados ou aguardavam a dose. As autoridades afirmam que a paralisação faz parte dos protocolos de vigilância adotados pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) e tem caráter estritamente preventivo, garantindo apuração rigorosa dos casos antes de retomar a campanha.
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O imunizante, concebido para enfrentar os quatro sorotipos do vírus da dengue, utiliza uma cepa viral atenuada que estimula a produção de anticorpos sem causar a doença. Uma das principais inovações é a aplicação em dose única, o que facilita a logística de vacinação. Ensaios clínicos demonstraram eficácia global de cerca de 79,6% na prevenção de casos sintomáticos e aproximadamente 89% contra as formas graves da enfermidade. A campanha teve início em janeiro de 2026 em cidades-piloto como Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE) e também alcançou profissionais de atenção primária em várias regiões.
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Segundo o Ministério da Saúde, a interrupção se deu após 3.703 notificações de sintomas semelhantes aos da dengue em pessoas vacinadas. Três casos foram classificados como graves, incluindo dois óbitos que agora passam por investigação para verificar eventual relação com o imunizante. Até o momento, não há confirmação definitiva de vínculo causal. A pausa temporária visa permitir uma apuração detalhada por especialistas antes de qualquer decisão sobre a continuidade da vacinação.
Entre os sintomas relatados pelo sistema de vigilância estão febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, cansaço, mal-estar, náuseas e manchas avermelhadas na pele. Especialistas destacam que esses sinais podem aparecer também após outras vacinas e nem sempre refletem reações graves, sendo em muitos casos manifestações banais que cessam em poucos dias sem complicações.
As pessoas que já receberam a vacina não precisam adotar medidas adicionais, segundo o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan. A recomendação é observar qualquer sintoma intenso ou persistente e procurar atendimento médico caso surjam sinais preocupantes. Enquanto isso, o acompanhamento dos vacinados segue sendo realizado pelas equipes de saúde em todo o país, garantindo monitoramento contínuo até a conclusão das investigações.
Em nota oficial, o Instituto Butantan defendeu a segurança do imunizante, ressaltando que a suspensão decorre de orientação preventiva da Anvisa e do Ministério da Saúde. A instituição destacou resultados positivos de eficácia e segurança obtidos em campanhas-piloto realizadas em municípios como Botucatu (SP), Nova Lima (MG) e Maranguape (CE). O Butantan também afirmou manter compromisso com a transparência na divulgação dos dados e aguarda as conclusões das investigações antes de qualquer decisão definitiva sobre o futuro da vacinação.
