
Mulher presa em SC após 14 meses fingindo ser criança para obter cuidados médicos e apoio financeiro (Foto: Instagram)
Uma mulher de 37 anos, presa em Joinville (SC) por fingir ser uma criança, chegou a receber atendimento no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, em setembro de 2023. Durante cerca de 14 meses, ela viveu com uma família que acreditava acolher uma menor em situação de vulnerabilidade, usando a identidade falsa para obter cuidados médicos e apoio financeiro.
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Ao dar entrada na unidade de saúde da capital catarinense, a paciente apresentou-se como Caroline da Silva Bastos, de 13 anos, mas os médicos notaram inconsistências em suas queixas e marcas de agulhas pelo corpo. A diretora-geral Maristela Cardozo Biazon relatou que, após suspeitarem de maus-tratos, a equipe iniciou uma investigação sobre o histórico. Descobriu-se que ela teria repetido o mesmo golpe em outras localidades antes de vir a Santa Catarina.
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Durante o período em que permaneceu com uma família em Pirabeiraba, distrito de Joinville, a suspeita adotava comportamentos tipicamente infantis e chegou a participar de uma festa de aniversário de “12 anos” organizada pelos acolhedores. Os responsáveis custearam despesas pessoais e atenderam a pedidos como o medicamento Mounjaro, apresentado pela mulher como tratamento necessário.
Segundo as investigações, ela usava um nome falso e afirmava ter fugido do Pará após sofrer maus-tratos, o que sensibilizou membros de uma comunidade religiosa. Alegava ainda ser autista e ter sido obrigada a usar hormônios na infância para explicar sua aparência mais madura, argumentos que convenceram familiares, profissionais de saúde e outras pessoas.
A farsa começou a ser desvendada quando uma parente da família adotiva estranhou a história e compartilhou suspeitas com outros membros. Com base em pesquisas na internet, o pai adotivo encontrou indícios de golpes similares aplicados pela mesma mulher em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, levando ao registro do caso junto à Polícia Civil.
Amanda Maria Souza de Oliveira foi detida em flagrante no dia 2 de abril e, após reconhecer a fraude, passou a responder pelos crimes de estelionato e uso de falsa identidade. A corporação informou que ela possui ocorrências análogas em Goiás e no Rio Grande do Sul, e investiga se houve outras vítimas e novos delitos durante sua permanência em Santa Catarina.
O desenrolar do episódio atraiu comparações ao enredo do filme A Órfã (2009), no qual uma mulher adulta engana uma família ao se passar por criança. Assim como na ficção, a suspeita usou estratégias de manipulação emocional e criou uma vida de adolescente para manter o disfarce por mais de um ano.
