Produtos brasileiros mais atingidos por tarifas dos EUA, aponta proposta de Trump

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Proposta de tarifas de Trump acende alerta no setor exportador brasileiro (Foto: Instagram)

A proposta do governo de Donald Trump de criar novas tarifas para produtos brasileiros acendeu um sinal de alerta em diversos segmentos da economia nacional. Máquinas industriais, calçados, plásticos e itens de madeira figuram entre os que estariam mais vulneráveis às sobretaxas em discussão, capazes de reduzir a competitividade das exportações brasileiras no mercado norte-americano caso as medidas avancem.

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Estudos divulgados após o anúncio indicam que os setores de transformação industrial concentrariam os maiores prejuízos caso as novas tarifas entrem em vigor. Entre os produtos apontados estão máquinas e equipamentos, calçados, plásticos, móveis e itens de madeira, produtos metálicos, químicos, autopeças e papel com seus derivados.

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Especialistas destacam que a imposição de taxas adicionais pode provocar perda de competitividade para fabricantes nacionais nos Estados Unidos, sobretudo em segmentos que dependem fortemente das vendas ao exterior. A elevação dos custos de importação tende a pressionar os preços finais, dificultando a manutenção da fatia de mercado brasileira em um cenário de forte concorrência global.

As tarifas foram apresentadas após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável por examinar práticas comerciais em cerca de 60 países. O relatório do órgão sugere que as novas taxas se baseiam em indícios de trabalho forçado em cadeias produtivas, abrindo caminho para restrições que visam proteger a indústria americana de eventuais concorrências desleais.

De acordo com o documento, entre 2021 e 2025 o Brasil importou mercadorias associadas ao trabalho forçado, como alumínio, algodão, produtos eletrônicos, baterias de lítio e tabaco. O USTR alerta que a ausência de barreiras mais rígidas à entrada dessas mercadorias pode provocar desequilíbrios comerciais, favorecendo fornecedores internacionais em detrimento de produtores dos EUA.

A proposta contempla duas faixas de sobretaxa: países com regras mais severas contra trabalho forçado poderiam enfrentar tributação extra de 10%, enquanto o Brasil integra um grupo de 54 nações sujeitas a uma sobretaxa de 12,5%. Essa cobrança adicional soma-se à proposta anterior de tarifas de até 25% sobre determinados itens da pauta exportadora brasileira.

Apesar de atingir diversos setores industriais, a lista preliminar de produtos não inclui itens-chave da pauta exportadora nacional, como o café, principal commodity do Brasil, e outras culturas agrícolas. Ainda assim, analistas advertem que essas mesmas cadeias podem sofrer impactos indiretos, dependendo da extensão das tarifas e do andamento das negociações comerciais.

As medidas, porém, ainda não foram implementadas. O governo dos EUA abriu consulta pública até 6 de julho e agendou audiências a partir de 7 de julho, antes de decidir sobre a aplicação definitiva das novas taxas. Nesse ínterim, representantes do setor produtivo e autoridades brasileiras acompanham de perto a tramitação e estudam estratégias de resposta para mitigar eventuais efeitos negativos.