
Suspeito de feminicídio premeditado em Pontal (SP) (Foto: Instagram)
O assassinato de Geniane Pereira, em abril deste ano em Pontal (interior de São Paulo), voltou a ser destaque após a divulgação do depoimento de Cleomar Borges Gomes, de 53 anos. Acusado de desferir oito facadas na amiga de sua própria filha, o homem admitiu o crime em seu interrogatório. No entanto, as apurações da Polícia Civil indicam que o crime foi um feminicídio premeditado, motivado por uma obsessão e pela recusa da vítima em manter qualquer proximidade com o suspeito.
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No depoimento prestado à polícia, Cleomar afirmou que resolveu agredi-la ao perceber que Geniane o chamava de “velho safado”. Segundo seu relato, ele a abordou enquanto ela caminhava, questionando o suposto xingamento, e desferiu as facadas com uma faca. Em seguida, afirmou ter fugido de bicicleta do local ao ouvir os gritos de socorro de testemunhas que presenciaram a cena.
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A versão oficial da investigação difere completamente da apresentada pelo acusado. Para a Polícia Civil e o Ministério Público, Cleomar vinha realizando um monitoramento constante da rotina de Geniane, a perseguia com frequência e chegou a enviar mensagens ameaçadoras antes do crime. Os investigadores consideram que houve planejamento, fruto de um comportamento obsessivo, e que o atentado foi articulado para satisfazer um sentimento de posse e a frustração pela rejeição.
Câmeras de segurança registraram o momento em que Geniane Pereira, acompanhada de uma amiga — filha de Cleomar —, caminhava para o trabalho quando foi atacada. O vídeo reforçou as evidências coletadas pela perícia. A jovem foi atingida por ao menos nove perfurações, socorrida e levada à Santa Casa de Pontal, mas não resistiu aos ferimentos. O caso foi autuado como feminicídio e permanece sob investigação.
Após o crime, Cleomar fugiu de Pontal e permaneceu foragido por cinco dias até ser capturado em Ribeirão Preto, também no interior de São Paulo. Ele foi denunciado por feminicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de ameaça. A Justiça decretou a prisão preventiva, e o réu aguardará o julgamento em regime fechado no Tribunal do Júri, caso a denúncia seja acolhida.
