Lula menciona punição para ‘traidores da pátria’ ao criticar filhos de Bolsonaro

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Lula aponta o dedo durante pronunciamento no Planalto (Foto: Instagram)

Em pronunciamento na terça-feira (2), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que “traidores da pátria” merecem punição ainda mais severa do que a forca ao se referir aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo Bolsonaro. Segundo Lula, os parlamentares agiram contra os interesses nacionais ao supostamente pedir interferência estrangeira em decisões brasileiras. A declaração provocou ampla repercussão e críticas de diversos setores políticos.

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Durante o discurso, Lula acusou explicitamente Flávio e Eduardo de serem “vendilhões da pátria” por terem procurado autoridades de um país estrangeiro para interceder em matérias de soberania. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores que ele. Foram pedir que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores”, declarou o presidente, em referência direta ao suposto contato com representantes de governos externos.

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Em outro momento, Lula recorreu à Inconfidência Mineira ao citar Joaquim Silvério dos Reis, afirmando erroneamente que ele foi enforcado por delatar Tiradentes. “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado”, disse. Historicamente, porém, quem sofreu execução na forca foi Tiradentes, enquanto Silvério dos Reis recebeu benefícios da Coroa Portuguesa e faleceu por causas naturais, ao contrário do que mencionou o presidente.

As declarações ocorrem em meio a tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, motivadas pela imposição de tarifas americanas a produtos brasileiros. Lula criticou o envolvimento de Flávio e Eduardo Bolsonaro, apontando que eles teriam mantido contato com autoridades dos EUA para influenciar decisões de âmbito econômico. “Depois do sucesso da minha visita, o bolsonarismo ficou incomodado”, afirmou o presidente, sugerindo que a movimentação teria caráter político e não técnico.

Após o anúncio das tarifas, Flávio e Eduardo Bolsonaro negaram qualquer influência indevida. Em entrevistas concedidas, ambos defenderam somente uma revisão ou redução das taxas sobre bens nacionais. Flávio disse ter solicitado diretamente a representantes americanos que não aplicassem novos impostos às empresas brasileiras, enquanto Eduardo afirmou ter atuado em prol de fortalecer o comércio bilateral sem comprometer a soberania nacional.

O episódio reacendeu o debate sobre os limites legais para punições no Brasil, já que a Constituição de 1988 veda a pena de morte em períodos de paz, permitindo-a apenas em caso de guerra declarada. A menção do presidente a sanções mais drásticas provocou discussões legais e midiáticas, mobilizando opositores e aliados. A controvérsia repercutiu nas redes sociais e ampliou o embate político entre o governo federal e os setores ligados ao legado de Jair Bolsonaro.