
Garrafa do lote LZ1 VAL 200127 de água mineral Crystal: recolhimento voluntário após detecção de Pseudomonas aeruginosa (Foto: Instagram)
Nesta quarta-feira (3), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento voluntário de um lote da água mineral Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras do produto. A medida visa proteger os consumidores diante do risco de contaminações que podem evoluir para quadros graves de infecção.
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O mesmo microrganismo foi detectado em lotes de produtos de limpeza da marca Ypê, o que levou as autoridades sanitárias a adotar novas medidas de controle. A contaminação da água mineral Crystal foi constatada pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF) após coleta realizada pela Diretoria de Vigilância Sanitária do Distrito Federal (Divisa-DF).
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Especialistas explicam que a Pseudomonas aeruginosa é comum em ambientes úmidos e destacam sua elevada resistência a diversos antibióticos. Segundo o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro da Academia Nacional de Medicina, trata-se de um microrganismo oportunista que raramente causa doença em indivíduos totalmente saudáveis, mas pode desencadear infecções sérias quando encontra uma porta de entrada no corpo.
O maior perigo surge se a bactéria invadir a corrente sanguínea ou tecidos internos por meio de cateteres venosos, sondas urinárias, tubos de traqueostomia, feridas abertas, queimaduras ou em procedimentos hospitalares. “Uma vez na circulação, ela pode provocar uma resposta inflamatória descontrolada, levando à falência de múltiplos órgãos e, em casos extremos, à morte”, alerta Celso Ferreira Ramos Filho.
Pessoas aparentemente saudáveis também podem ser afetadas, sobretudo na forma de otite externa, conhecida como “otite do nadador”, relacionada ao contato com água contaminada. A patologista Raiane Cardoso Chamon, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), observa ainda que pacientes com doenças respiratórias crônicas, como fibrose cística e enfisema pulmonar, têm maior predisposição a desenvolver pneumonias graves causadas pela P. aeruginosa.
A hipótese mais provável para a contaminação envolve falhas no controle microbiológico durante o processo de engarrafamento, possivelmente devido a reagentes ou água de produção contaminados. O lote recolhido é o LZ1 VAL 200127, fabricado em 20/01/2026 e com validade até 20/01/2027. Consumidores que possuam unidades deste lote não devem consumi-las e devem aguardar as instruções da empresa para devolução e reembolso. Segundo a fabricante, cerca de 99,2% das unidades já foram retiradas do mercado, e as autoridades sanitárias acompanham a operação de recolhimento.
