
Deputado federal Bruno Lima em sessão na Câmara dos Deputados. (Foto: Instagram)
O deputado federal Bruno Lima, atualmente no Podemos, declarou publicamente que apoia a investigação das suspeitas de desvio de recursos no contrato milionário firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil. Apesar do reconhecimento, a posição não encerra as dúvidas sobre sua responsabilidade política e administrativa, já que Lima chefiava a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia quando o acordo foi celebrado.
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Lima assumiu a pasta justamente no período em que a ONG, sem histórico no setor de telecomunicações, recebeu um contrato estimado em R$ 108 milhões ao ano para instalar internet gratuita em áreas periféricas da capital paulista. A entidade agora é alvo de investigação por supostas fraudes, sobrepreço, descumprimento de metas e eventual uso de recursos públicos na produção do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
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O programa, voltado à inclusão digital em regiões vulneráveis, previa a instalação de 5 mil pontos de wi-fi, mas levantamentos apontam que cerca de 3.200 foram efetivamente implantados até o momento. Além disso, foram assinados aditivos que elevaram o valor do contrato para R$ 157,1 milhões, com indícios de pagamentos por serviços não realizados. A possível destinação de verba para um filme de cunho político agrava a gravidade do caso e reforça o clamor por explicações detalhadas.
Bruno Lima afirma não conhecer Karina Ferreira da Gama, responsável pelo Instituto Conhecer Brasil e sócia da produtora Go UP, relacionada ao Dark Horse. “Não a conheço. Nunca a vi na vida”, disse o parlamentar. Ainda que verdadeira, essa negativa não afasta a questão central: como um contrato bilionário em potencial foi concedido sem referências no setor, e sob sua gestão, sem ressalvas ou auditorias aparentes?
Na administração pública, acordos dessa magnitude demandam rigor técnico, análise de capacidade operacional e fiscalização constante. Limar a responsabilidade política alegando que toda tramitação cabia ao corpo técnico da Secretaria não basta. O secretário é o responsável final pelos processos, devendo prestar contas quando uma política pública vira alvo de operação policial.
As notícias sobre “suspeitas de confusão patrimonial” entre o instituto e a produtora do filme aumentam a pressão. A sociedade precisa de documentos como cronologias, pareceres técnicos, atas, notas fiscais e justificativas para entender quem validou os custos, quem monitorou as metas e por que houve descumprimento dos prazos. Até que isso ocorra, o discurso de apoio à apuração parece mais uma tentativa de se afastar da responsabilidade política do que um verdadeiro esclarecimento.








