
EUA oficializam inclusão de PCC e CV em listas de organizações terroristas (Foto: Instagram)
Os Estados Unidos oficializaram a inclusão das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) em suas listas de organizações terroristas. A decisão, anunciada pelo Departamento de Estado norte-americano, causou repercussão no Brasil e suscitou questionamentos sobre possíveis impactos econômicos, diplomáticos e de segurança. Autoridades brasileiras ainda avaliam as consequências práticas dessa medida na relação bilateral e nos fluxos de comércio e investimento.
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O comunicado foi divulgado na quinta-feira, 28 de maio, pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. De acordo com o executivo americano, tanto o PCC quanto o CV são responsáveis por “ataques brutais” e estão entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil. A inclusão ocorre um dia depois do encontro do senador Flávio Bolsonaro com autoridades de Washington, quando Rubio teria sinalizado apoio à nova categorização.
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Os decretos entram em vigor integralmente em 5 de junho. As facções foram incluídas em duas listas distintas da legislação norte-americana: “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs) e “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs). A primeira classificação produz efeito imediato, enquanto a segunda passa a valer sete dias após a comunicação ao Congresso dos EUA, sem possibilidade de veto legislativo.
Especialistas destacam que a norma prevê o bloqueio de bens, contas bancárias e recursos financeiros ligados às facções. Analistas acreditam que, embora o alvo direto seja o PCC e o CV, o movimento pode gerar reflexos indiretos na economia brasileira. Instituições financeiras terão de reforçar a fiscalização de operações suspeitas, e agências de risco podem elevar as avaliações sobre empresas nacionais.
A legislação americana permite ações contra organizações tachadas de terroristas, o que levantou dúvidas sobre possíveis operações militares ou de inteligência em território brasileiro. Até o momento, a administração do ex-presidente Donald Trump não sinalizou qualquer intervenção direta. Ainda assim, há precedentes recentes de ações dos EUA contra grupos na Venezuela e no México após medidas similares.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a iniciativa, alegando que cria espaço para intervenções unilaterais e fere a soberania nacional. Em Brasília, autoridades reforçam que o PCC e o CV não possuem motivação política, religiosa ou ideológica, condição exigida pela Lei Antiterrorismo de 2016 e pela Constituição Federal para definir atos terroristas.








